Paralelas…

Estavam lá aqueles dois camaradas sentados na beira do mar e conversavam sobre essas relações bizarras que o dia a dia nos trazia… um disse “… cara, o idiota que cercou um pedaço de terra ferrou a vida de todo o mundo…” e o outro emendou “…a partir dai, amor, felicidade, e até mesmo a paz estão sendo comercializadas com o nome de verduras orgânicas, carros hibridos e experiências de viagens…” cairam na risada, terminaram de fumar a planta da conectividade e foram nadar… antes, deixaram chinelos e um isqueiro e correram para a água… a sensação deliciosa que o gélido azul trás quando se relaxa, deitando sobre a espuma branca das ondas, deixando o movimento de vai e vem balançar o corpo como em um berço, e os barulhinhos diminutos que estalavam nos ouvidos, contando as histórias de amor das pedras e dos ouriços. De olhos fechados, ele abriu os braços e pensou na quantidade de vida que existia naqueles sons… viu cores brilhantes arrepiarem seus poros, sorriu como criança ao afundar o corpo e trocar olhares com peixes, polvos e estrelas do mar… ao subir de novo sentindo a água escorrer pelos ombros, olhou em volta quase trezentos e sessenta graus, e aqueles prédios enormes pareciam distantes, como em um quadro pintado sobre as montanhas verdes e marrons… um deles voltou a falar “… cara, é viver na paralela, achar as coisas que se gosta de fazer, e fazer…” o outro, que é um músico espetacular, só pode rir com tal afirmação e completou “… vamos fumar mais um e ir para a rua tocar, hoje faremos um pouco mais do que o capitalismo quer, e depois podemos voltar a viver a vida de verdade…” e mergulhou na ternura azul do dia…

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Simulador…

As lembranças são algo engraçado, até quando se está vivendo um momento suave… notas, lembrando também que cada um tem sua própria interpretação para o que é suave… sentido na pele, e sentindo os raios matinais ebulecerem a mente e arrepiando corpos humanos que estavam lagarteando pelas areias praianas de qualquer litoral paradisíaco, e olha, tem tantos que eles já conheceram e outros tantos para se conhecer que uma só vida é muito pouco para esse jogo…

Transcendência

Raramente uma história começa pelo seu título, ou isso não é uma regra geral… não me lembro também de alguma começar com algo que tenha acontecido o tempo inteiro, afinal de contas, qual é a motivação para criar algo novo, senão tentar mesmo algo novo…

Se existem os seres sábios, as energias e os quaisquer uns… universos paralelos se chocando para ditar uma variedade tão grande de acontecimentos que fico me perguntando sério mesmo, será que é tudo uma criação sádica de um doido qualquer, ou é o que… vidas paralelas como parasitas celestiais… deuses não existem, a não ser pelo menos a tal da fé que dizem… existir… vai saber qual o tamanho da loucura para criar uma necessidade de alguém superior a quem se deve alguma devoção ou pior, uma dívida, de pecados sei lá de quem se inventou isso… dizem que veio da igreja, mas explica melhor, não é ela que diz que é para ser legal com as pessoas todas, ou fiquei maluco quando me falaram que existiam dez mandamentos a serem seguidos cada um mais nebuloso que o outro… e aquele que diz algo parecido do não faça ao outro o que não quer que façam contigo… nunca soube muito dessas coisas, no entanto se tem algo que me marcou e eu me pergunto por que tanta guerra… eram para ser tantas flores, olhei para aquele espiral de fotos e invadiram pigmentos vívidos girando em velocidades diferentes, formando criaturas aladas, indo e voltando dentro de nossas próprias mentes… cultura levada de forma leve, deveriamos ter mais disso… certo…

Para quantos sentimentos a criatividade explode de uma forma tão alucinada que nada no mundo vai querer fazer você parar… nada…

Um sonho… ter alguém que me venda… me gerencia… me deixe apenas desenhando e escrevendo… me deixe criando…

Aquele artista que ouvimos falar em outro conto estava de volta. Suava feito um porco sobre sua prancheta e não conseguia produzir uma linha sequer… O suor escorria pela testa, lambia o nariz até cair e ensopar o papel, que então enrugava todo o grande vazio branco à sua frente…

Seus olhos tremiam muito, parecia um tanto perturbado. Olhando para seu estúdio/apê daria para imaginar que a vida desse nosso amigo não estava das mais fáceis.

O quão incrível poderia ser o controle dos sentimentos… ou isso seria aterrador, pois eliminaria a prazerosa possibilidade de viver as “surpresas”… de qualquer forma escolhermos experiências que nos excitem à querer viver mais e mais, por que percebe-se que há um montão de coisas dentro de si que só indo para fora da zona de conforto, o famoso conforto, ou dá-se a cara a tapa, ou assumir as responsabilidades e encarar a maturidade (ou velhice como queiram)… Alguns chamam de esportes radicais, devido ao risco iminente de morte para àqueles que o praticam, seja qual for. O problema, se é que existe um, está na ideia absurda de se acreditar que não irá morrer, e isso por si só já é um pensamento que de forma complexa vem rodeando a mente desse que vos fala de um jeito um tanto cansada, pois já tenho perdido um tanto a paciência e isso só demonstra que algumas escolhas realmente não valem a pena perante outras que acreditamos serem boas, visto os valores distintos de cada ser humano… voltando ao ponto central de nosso bate-papo, por que achar que a eternidade é algo maravilhoso, que reencarnar é um processo evolutivo e morrer é algo tão ruim… não sei se são perguntas ou propulsores de querer mais do que está sendo oferecido pelos “programadores”… Bom, sendo isso um fato, e tentando fazer um julgamento parcial de toda essa ideia controversa, sabemos que “morrer” é um verbo absoluto para tudo aquilo que está “vivo”, portanto, como acreditar que alguém pode querer abdicar disso, visto que tem tantas crenças alucinadas tentando nos explicar e deixando a gente mais confuso ainda… sobre o quão lindo é viver e fazer coisas boas para si e para os outros e como é entristecedor alguém do “bem” morrer… qualquer um… Na real deixou esse sentimento de lado assim que entendeu que vai acontecer consigo e pode ser em qualquer momento… independe de se estar “bem de saúde”, física ou mental… ou ambos como sempre… é tão curto para ser ruim, tão rápido para ser desgostoso… uma vez só, iremos nos lembrar, e até isso já tentaram explicar em religiões e filosofias, mesmo elas sendo Cavaleiras da Virtude, ainda assim não explicam tudo de tudo e aquele nozinho, entalado na garganta, o mesmo que nos faz rir e nos faz chorar… se não há respostas, e nem um final feliz, por que o durante esse pequeno trajeto às predileções tendem a variar tanto deixando aquilo que pode ser somente bom………………..

Parece que sentimentos enviesados são excelentes motivadores para a criatividade… não que isso seja algo entendível e nem de fácil… isso mesmo que leu… e lendo outros autores notamos também que esta pode não ser a constatação mais genial, mas é uma das mais controversas quando se trata de criar algo em que se acredita, com um sentimento reto de amor… pessoas são pessoas, ouço um monte delas pregarem cada absurdo, e no entanto, quando é uma pessoa com um pincel, um lápis ou uma câmera… sem vacilos, é um só e geralmente na primeira vez… a primeira nota, o primeiro rabisco, a primeira pincelada e o primeiro enquadramento… outros estão buscando o que querem e dão suas justificativas para seus fins ou meios, sei lá… pior aqueles que acreditan saber mais do outro, sobre o do outro, pelo outro… como se a definição de “o que é melhor” fosse mais um padrão… hmmm e… nenhuma definição, sem olhar dentro dos olhos, nem mesmo pensar que o outro “isso ou aquilo” do bem ou da necessidade alheia… uma larica infinita de ideias saem de dentro do estômago e tudo começa a ficar lento e rotativo…

Então seguimos naquelas brisas enlouquecidas de que tudo (e já temos que abrir um parêntese de cara por que nesse caso é necessário enfatizar, tudo, é TUDO mesmo…

Pílulas de Amô!

“Alegria e Êxtase andavam de mãos dadas e apertadas com um andar pomposo e saltitante. Transbordavam Amor e Paz, que se juntavam a eles em uma das orgias mais deliciosas que os sentimentos podem ter.”

“Dizem que o Amor e o Sexo vem separados em dois pacotinhos. Você pode ter tanto um quanto o outro sem necessariamente misturá-los, no entanto já ouvi dizer que quando se junta fica melhor ainda, tanto o amor, quanto o sexo…”

“Não é sobre transar o dia inteiro se achando a máquina perfeita de sexo… é sobre curtir todos esses momentos de intervalo entre um sexo e outro…”

“A ideia é bem simples, o sexo quando volta a acontecer, após um tempo de estiagem e seja lá qual o motivo, é bem provável de ser bem melhor que o anterior (não querendo comparar, mas já fazendo-o), e sempre ser o melhor no momento em que acontece, afinal, sexo é sexo, e por si só já é bom!” (um breve pensamento sobre o egoísmo do Orgasmo que nos eleva a sensações inexplicáveis e no momento seguinte é como uma bomba que arrasou tudo e daí temos que juntar os cacarecos…)

FIM

Eram como dois jovens que tinham uma ansiedade imensa um pelo outro… ficou claro desde o início que era algo carnal, poderia ser mais que isso, sabemos claramente que o sexo é algo maravilhoso, mas que ele não sustenta… é como outros saberes, outros pontos de conexão… porém como os neurônios dentro de nossas cabeças, uma vez desconectados, poderiam se ligar de novo, era de interesse deles, ou iriam procurar outras ideias de junção… acredito que o viver seja isso também, essas idas e vindas de pessoas e lugares e co-criações como as copas das árvores ligadas por seus galhos tortuosos e que de uma forma ou de outra seguem seu caminho e florescem suas folhas e frutos… e as raízes, como se fosse juízos, ligados em uma gigantesca rede de sentimentos espalhados por todos os lados e por isso era tão difícil controlar, ou pelo menos acreditar que possamos fazê-lo… e o mais engraçado é que não existe uma sensação de vazio real, talvez por saber o tempo todo que tudo o que a vida nos mostra é uma enorme fantasia de seres sádicos que tem o mesmo fim de outros seres considerados mais benéficos como as próprias árvores…

Balançar…

Estavam por aí naquela conversa eloquente onde as ideias mesmo sendo contrárias em alguns aspectos geravam risadas e alegrias e polêmicas floridas de vermelhos e amarelos bem vivos e gostosos de se ver… tentava se entender nesse sentido de o que é o outro e quem é esse outro que está ao meu redor e o contexto geral de se viver em conjunto mesmo sem ter a certeza de que é isso… esse “junto” é como, grudado e sufocado, uma sombra ou… céu e lua, acredito ser a combinação mais bonita sem querer comparar com outras, contudo a lua me hipnotiza… lhe hipnotiza… Porém era manhã, como sempre e ali se permita para ditar seu dia… viver em um sentimento ruim que te afasta, ou aquele em que você tem o direito de escolher o que é melhor para si, seu corpo e mente, fazendo as pequeninas coisas que gostamos, bem leve, cheiro de incenso de pedra azul (para cima), uma toalha com pincéis em cima e a luz entrando devagarinho lambendo todo o meu corpo, um prazer suave, ali vem o cheiro de… mato e chuva, água na terra… os sentidos entram em delírio por que tudo é bom… a arte tem esse poder maravilhoso né, sendo escrevendo ou pintando ou o que quiser fazer por que quer e te faz bem, vamos dançar?

Rostos Esculpidos…

Estados de emoções confusas como os ventos que dançavam de lá para cá, e depois de ali para lá… ao longe montanhas enormes como paredes que atingiam o céu, tocavam os olhares com as ranhuras que desenhavam imagens que nos eram aconchegantes… seriam rostos humanos, seriam as rochas humanas… havia um pássaro com um bico curvo e ele gritava alguma coisa que não conseguia ouvir… o barulho era tão alto que ultrapassava a assimilação do sentido… pouco abaixo um camarada de nariz redondo usava sua minúscula boca para sussurrar palavras de amor para outra pessoa que andava por suas entranhas… e ao longe, observando tudo o que acontecia lá embaixo no mundo dos humanos, boquiaberto estava sem compreender no meio daquelas trilhas verdes que eram invadidas por pequenos telhados vermelhos, pareciam formigas em uma corrida frenética, escalando e esculpindo… e naquelas rocas proeminentes, figuras surgiam de um lado para o outro, implicando sentimentos engraçados para cada uma das expressões que faziam, para aquele que as olhassem, como nas nuvens surgiam os mais variados animais felpudos… os paredões contavam histórias através dessas manifestações surreais que a natureza nos trazia…