Em uma viagem estranha…

Saiu de São Paulo após um trânsito caótico… Em Beagá quis continuar “fugindo” de tudo… chegou a Pirapora e os ares pareciam mudar, estavam na beira de um rio enorme e antigo, que tem tantas histórias ricas para se aproveitar… Subiram o Velho Chico e conheceram cidadezinhas maravilhosas, apaixonados estavam por Barra do Guaicuí e São Romão, onde a hospitalidade mineira falou em alto e bom tom… passaram por lugares que não irão lembrar o nome e continuando a contornar o rio, encontraram em Januária mais hospitalidade, mais histórias, mais gente rica em cultura… mesmo que metade das histórias contadas são histórias de pescador… e continuando estrada afora, longe de se entenderem, longe de entenderem qualquer coisa, entraram novamente na estrada e seguiram rumo as próximas cidadezinhas… veio o Parque do Peruaçu e na sequência Montalvania até passarem pela divisa e alcançarem Carinhanha, nome fácil de escrever e difícil de falar… agora parados em Paratinga após breve passagem por outros vilarejos, será que iriam seguir juntos, esse amor que não tem mais gracejo?!…

Por do Sol

Boa noite, ele disse após um longo tempo de pausa forçada… olhava para os lados de forma perdida, vendo a tristeza humana de enganações para chamar a atenção… as notícias que chegavam eram sempre assim, e ele já não queria mais, não aguentava mais… decidiu tentar a paz e encontrou muita coisa estranha, uma pessoa que tinha uma força tão grande, porém não entendia, onde estava a empatia, aquele amor que tanto lhe falavam? levantou-se e foi buscar, uma busca eterna, cansada, muitas vezes sofrida… onde está o amor que tanto falam, de um lado para o outro, não existia amor, será?! após longas estradas e horas e horas a fio, encontrando o por do sol, sentou-se de frente para todo aquele horizonte e agradeceu aos céus, pois tamanha pintura dava sentido a tanta loucura humana espalhada por ai…

Livres… !!!

Finalmente… !!! Desta vez as exclamações irão explicar para vocês mais que um sentimento, mais que vários, mais do que aquilo que pensamos, que você pensa, o outro, e o tudo… como sempre, e tentando não ser um “gênero”, e digo também tentando por que a comunicação é um verdadeiro mistério… e esse tal “gênero” atrapalha às vezes bem mais do que ajuda… elevações de sentimentos não sentidos realmente vividos e pensados, ou queremos o que é sem nem mesmo saber o que, e numa falta de comunicação total, colocamos o outro como o nosso “culpado” daquilo que não queremos assumir em nós mesmos, ou será que temos isso por nós? uma sociedade que te “obriga” e muda seus “valores” para nos sentirmos encaixamos dentro desses padrões, alguns deles… e olhando o rosto das pessoas, as expressões fechadas, aquela perguntinha que nunca se cala, por que olhar pro outro, por que obrigar o outro, por que sempre o outro… a grama do vizinho é mais verde por que olhamos para ela… quando olharmos para a nossa, e cuidarmos da nossa, e entendermos as nossas limitações e colocarmos elas para fora sem nenhuma vergonha de sermos quem somos ou quem queremos ser, enfim, vamos lá, um bate-papo diário, curto e reto, do jeito que gostamos… Não existe igreja no que nos é selvagem, chamamos isso de instinto!

Utópicos

Imagine um mundo onde você pudesse fazer o que quisesse sem que ninguém se incomodasse contigo e nem você com quaisquer um… sem se preocuparem com o que você está fazendo e em contrapartida você dá o mesmo… um lugar pleno de harmonia em que todos os seres estão cuidando de suas próprias vidas numa boa… Já leram ou ouviram a sentença sobre coisas boas não virarem notícias, pois essa espécie que se acha acima de tudo e todos só se interessa em propagar notícias ruins… eu não consigo concordar com isso, não consigo concordar com a premissa de quem trabalha sem sorrir é melhor profissional, de quem está sorrindo é desleixado… quando foi que a risada virou crime? Existem pessoas querendo controlar outras pessoas e quando é que isso deu certo? Como alguém que acorda com um alarme acredita que controla a própria vida e que está fazendo certo se encaixando dentro dessa loucura toda… Imagine um mundo onde você acorda quando quer, faz o que quer e adivinha, o mundo continuaria girando… imagine um mundo onde você pudesse elogiar outra pessoa e ela te devolver um sorriso, um mundo onde a admiração fosse apenas positiva, um singelo sinal de agradecimento pelo que outra pessoa está fazendo/vivendo… imagina um mundo onde essas preocupações com guerras, fomes, misérias fossem a utopia bizarra, a loucura desenfreada de uma espécie que não parece nem um pouco se valorizar, querer viver melhor mesmo, arrotando suas marcas, seus poderes, seus dinheiros, esquecendo que sentados em uma privada, o que saí é igual, esquecendo quando se faz um raio-x, o que se vê é sempre igual, e quando tudo acabar, quando outros chorarem pelo seu corpo carcomido, lembrem-se, vamos todos para o mesmo lugar… Infelizmente, pois também acho cemitérios e os rituais “modernos” para “celebrar” a morte bizarros… Fechem seus livros crianças, pois essa história não é para adultos também…

Entre os Muros das Cidades…

Seguindo uma teoria absurda de que existem regras fixas dentro de todo caótico mundo de sentimentos… só temos certezas das épocas que vivemos pelos registros considerados históricos… no mundo moderno do agora, onde cada um com seus confusos e obscuros sentimentos em relação a si e ao outro, acreditando que sabe lidar melhor opinando sobre o que o outro deve ou não fazer de seu tempo de vida terreno… ela estava linda, deitada de lado com a cabeça apoiada no travesseiro… havia um resto de maquilagem em seu rosto que enaltecia sua beleza… magra… e no fundo, olhou em seus olhos que estavam fechados, as manchas escuras abaixo, a certeza de haver ossos, músculos, sangue compondo toda aquela beleza que lhe parecia uma face… Preferi não escrever o que pensei, talvez em alguns momentos sábios de conexão energética, entendemos que em um mundo habitado por seres de sentimentos e atitudes tão vis uns com os outros de quaisquer espécie, é melhor deixar passar para que não crie mais e mais energia desperdiçada… Parece piegas como falar que é um sujeito romântico, porém crer no positivismo ainda fazia mais sentido num lugar de almas tão vazias…

Deos…

Se todo movimento é caos! Imaginem só, uma espécie que se considera dominante pelas escolhas um tanto estranhas, lembrando que ele não estava para variar tentando julgar nada nem ninguém, o que em nossa infeliz língua portuguesa é um fardo imenso!… muitas aparências diferentes, e dentro dessas que eram meio que “padrões”, haviam variações e pelo número crescente dessa população, era difícil mapear tudo e todos, as características marcantes e as que se adquiri ao longo de uma vida, que aproximava pela estatística de uns 80 anos… Ele sentado em seu banquinho se encolhe com o barulho da cidade… é tão pouco, parece muito… mas é muito… pouco…

Continuando a piração daquele momento, essa mesma espécie precisava se entender entre si, um direto com o outro, e na sequência com os seus mais próximos, sendo a definição de família, depois escola, trabalho, e por aí vai… O que importa é que estava difícil transmitir informação, complexo de entender os outros e a si mesmo, como se houvessem constantes acidentes de trânsito bloqueando tudo, não permitindo a fluência do bom papo de boteco… lembrou que havia parado de beber… até quando seguiria ao que acreditava ser suas predileções, ainda assim em alguma parte ele queria que os “programadores” não fossem de verdade…

É Feriado!

Sambar! É uma época de festiva alegria, ou pelo menos eram o que pensavam os cidadãos daquele planetinha azul (? quero provas, tenho tido tendências ao ceticismo por tanta estupidez que nos chegam em forma de notícia e as lindas pessoas continuam fazendo a mesmice de… 1000 anos atrás? mais né… ufa!) Ele já havia curtido o carnaval de diversas formas e vivido diferentes emoções, entre alegrias e tristezas, olhava pela janela, como se fosse um filme, e continuava passivamente vendo a degradação de uma espécie que insistia em colocar o próprio ego acima de qualquer outro… ego. Como passar por isso, como satisfazer a si próprio e todas as outras partes de um mesmo ser, e de outros com o qual decidimos compartilhar nossos roteiros… como não ser um clichê de um filme “roliudiano” ou de um seriado piegas, choroso e dramático como as novelas mexicanas… cultura… coisa mais rica e linda, é sim com ela, ele lembrou sorrindo para tudo aquilo… vestiu sua fantasia e foi “brincar” o carnaval da vida!