Feminino!

estavam se alinhando e quando conversavam pensavamos que eram daquelas cenas gregas em que as pessoas estão deitadas com seus belíssimos lençois brancos e macios como se fossem feitas de nuvens… esses tecidos sedosos rodeavam os corpos dessas pessoas, que em contraste ao cenário de natureza e um pequeno espaço aberto entre as árvores, erquia-se um minúsculo anfiteatro de pedras polidas e geladas… estavam em São Paulo, uma capital contrastada pelo tempo climático alvoroçado…

e chegaram a um consenso que algum ser que imaginou ter consciência infelizmente pensou, e quando fez isso, de forma genérica fodeu toda a humanidade… entendam um ponto, não existe gênero para uma espécie, isso tudo de “separar” pelos rótulos não funciona muito bem quando se tratam de pessoas que se dizem… racionais…

entre risadas mil, delícia de conversa, de pessoa, um cheiro maravilhoso exala desse ser humanX, uma exemplar únicX de um imenso cosmos de sensações e vontades, de saberes que talvez algum dia algum ser humanX possa ser capaz de entender todas as mensagens energéticas, eclipses solares, influências dos mares, cheiros de verdes tão diferentes e tão deslumbrantes…

vamos falar mais de amor, vamos espalhar mais amor, vamos amar mais as pessoas todas… toda uma única espécie… precisando de mais amor… elA era muito mais perfeita do que elE… humildemente elE tentava aprender com elA… não era necessário subjugação de nenhum lado… elA mostrou para ele que compartilhando sinceros sentimentos de amXr podiam contagiar muito mais gente para… amAr!

Um Poema Natural

Em uma cidade surreal

de noites e dias

afloramentos de relacionamentos

montanhas de desejos intensos

em profundezas dramáticas

escarpadas pelas cicatrizes da vida

de brigas

de lutas

de sorrisos

de amores

de apenas um só amor agora…

por aí afora…

até o fim do mundo e o fim da vida…

sabendo que essa chega a um fim…

onde o durante necessita ser bom…

e a companhia de uma pessoa…

maravilhosa!

Pelo Simples Fato…

Se vai falar de alguém, no pior dos sentidos, ou seja a famosa fofoca mesmo, escolha com propriedade de quem e o que… pelo simples fato de que se for algo que não é real, e entendendo que o mundo é um monte de gente com suas realidades particulares interagindo-se das formas mais bizarras com línguas que mais complicam do que explicam as relações humanas… entre humanos e outras espécies também…

A dificuldade de comunicação sempre incomodou aquela nossa conhecida companheira de aventuras, mas particularmente, em pleno século XXI, tem palavras e sinônimos que nem deveriam mais existir, pelo simples fato de que mais confundem do que ajudam a explicar algum sentimento ou atitude, seja lá o que for, enfim…

E ela ficava se perguntando, após papear com diversas pessoas durante seu dia, se tudo o que falava fazia sentido, se ela era bem entendida, se as coisas iriam fluir e acontecer conforme as conversas combinadas… também tinha aquela sensação de não saber se entendeu bem, as palavras que lhe foram ditas, em diversas emoções sentidas por outros seres humanos, que acreditam estar em controle de sua “própria vida”, quando ela soube que um amigo na casa de seus cinquenta anos, sem família ou filhos, por opção, decidiu dedicar-se a fazer bonecas de sobras das bagaças de cana de açucar; ele não podia fazer vasectomia pois era tão ilegal quanto o aborto, essa cirurgia específica do macho da espécie humana, uma operação cirúrgica reversível… e as pessoas acreditam que no sistema criado por humanos, estão livres por que podem “comprar o que quiserem” quando trabalham muito e têm… grana… pelo simples fato de que… ai cara, olhem o horizonte, enxergam algo? sabem que tem algo além não sabem?…

Um Poema Curto

Nas cartas de amor

em poemas proibidos

em entregas pitorescas

com segredos a desvendar

mistérios que rodam os tempos

estágios e etapas em linhas ondulantes

um enigma intrigante que mora no coração

e um cérebro que não entende nada do que ele diz

e as vezes nem precisa, só precisa de um olhar, e…

sentir… sentir… sentir… pulsar… pulsar… pulsar…

uma outra estrela nasceu…

Eu sou o Monstro da Criatividade…

De novo começava por um título quando ele pensou em uma de suas personagens preferidas… alguns confundiam com personalidade, ele mesmo às vezes se confundia, mas pudera, continuava sendo humano…

Sara estava espantada. Junto de Alegria, seu fiel sentimento que a mantinha em sanidade, descobriram em um canto escuro e longinguo de sua cabeça, depois de passar por diversos caminhos extravagantes, de paisagens imprecisas, não sabiam se aquilo era uma natureza de árvores e cheiro de umidade, de quando em quando se era neblina, noite ou dia…

Sara se lembrava de quando era criança, brincava de tantos jogos e atividades em que ela precisava as vezes usar a destreza de seu corpo miudo, passar por lugares apertados e entrar em armários que nenhum outro primo ou amiga ou quem estivesse brincando com ela conseguia entrar… outras vezes passava horas pensando sobre tudo, e tudo é tudo mesmo! De como uma formiga pode carregar tanto peso, até a magia de ver estrelas no universo e saber que são “planetas”… e outras numerosas vezes estava desenhando e pintando sobre esse “tudo”… um de seus passatempos favoritos…

Porém para Sara, isso parecia distante agora que ela estava um tanto “perdida” sem saber se faria um vestibular, se tentava viajar pelo mundo ou arrumar um emprego qualquer pra sustentar sonhos de consumo material…

Para Sara, seus sentimentos estavam sempre em profusão, tomavam forma e não raramente ela perdia o controle deles… Mesmo que soubesse que podia domá-los, afinal eram seus monstros, vinham de dentro de si… Algumas vezes podiamos vê-la quietinha também, sem fazer nada de nada, talvez em um cantinho escuro… não que estivesse triste, não era a Tristeza dominando… era a quietude… uma forma abstrata que ainda não tinha se definido para Sara…

No entanto o espanto de Sara era por que aquele ali ela reconhecia. Já havia se dado com ela, se divertido muito quando criança. Também se lembrava da adolescencia na escola quando aconteciam as feiras de ciências ou de artes, ela era uma das alunas, senão brilhante, das mais inventivas! Para ela não importava os prêmios, mas como foi gostoso e legal ter achado uma solução diferente de todos, levando os professores a darem a ela algumas menções honrosas…

Ela se encolheu ali junto daquele monstro, Alegria estava naquele momento em paz, serena, agora era o Sossego… a mão dela acariciou a forma engraçada de pato que Sossego tinha e os dois caminharam lentos até aquela luz fraca em algum ponto em toda aquela negritude bonançosa…

O monstro levantou a cabeça e demorou um pouco para se reconhecer. Quando cruzou seus olhos com Sara ficou muito feliz. Sara sentiu um frio danado na barriga e não sabia quem era aquele sentimento que queria dominá-la novamente. Ela não temia, sorria, Alegria voltara, eles tinham encontrado com a… Criatividade!

tarefas…

Divagar sobre o cotidiano e imaginar que tem tarefas a se cumprir, sem questionar e simplesmente sair fazendo igual… como todos os deliciosos rótulos que gostamos de colocar nas coisas e depois deturpar, mudando ao bel prazer o sentido dos sentidos, ampliando o mundo dos sinônimos, enquadrando no mesmo lado palavras ruins e palavras boas, sentimentos da mesma forma… Aquele cara estava como sempre aparentemente bem. pernas cruzadas, enrolava um baseado devagarinho, fazendo daquilo um ritual meditativo, apenas concentrado naquela “tarefa”… como todas as outras que merecem sua devida atenção, é sábio aquele que consegue se concentrar em uma só coisa e realizá-la até atingir a perfeição? e sob qual aspecto “aquilo” pode ser considerado perfeito, só pelo ato de fazer repetidas vezes e criar uma forma que ao olhar, ao sentir o toque, é suave e macio e agradável… isso é perfeito? diz a lenda que só sabe que uma cama é macia quem dormiu numa pedra… não precisamos ser tão radicais, mas nada se compara a uma cama quentinha, obrigada sociedade capitalista pós moderna dos anos 2019…

Os dois cairam em risadas gostosas, sabiam se divertir juntos e que a companhia um do outro era tremenda de agradável… ela pegou o cigarro quando ele a ofereceu. Analisou girando o objeto próximo aos olhos com um sorriso de canto de boca e soltou que “você deveria pensar sobre esse tipo de coisa, se queremos mudar uma cidade para melhor, precisamos educar as pessoas, e claro, nós mesmas”… ela colocou o baseado na boca e acendeu o isqueiro… uma chama amarela brilhou na lente de seus óculos, cara como essa pessoa pode ser tão linda…

Então passavam horas e horas a fio, tentando salvar o mundo com ideias geniais e papos regados de muito vinho em ambientes de luzes baixas… pareciam viver em seriados, loucuras contadas com risadas escandalosas… cada ato vivido, seria pensado, estaria no roteiro dos que chamam isso tudo de vida… qualidades qualificadas por pessoas que são “estudadas”, pelos seus títulos, cientistas, professores, políticos, diplomatas, “doutores” de que, se não nós mesmos que damos o poder para que deitem e rolem sobre a maioria que fica sonhando pelo próximo celular de três câmeras… para que?

E chegavam deitados e agarrados em uma cama quentinha, pensando em tudo o que estava lá fora… pensando no que estavam construindo para dentro… plantas verdes penduradas em paredes brancas em ganchos pretos… de si mesmos… eles chegavam na mesma pergunta e estavam longe de uma resposta, porém já sabiam que precisavam melhorar em muito suas ideologias e atitudes, para fazer valer a pena essa única vez…

Justificar…

Finalmente sentiu-se um pouco livre… oh cara, um cansaço lhe caia sobre os ombros como se ele tivesse carregado uma mochila de 55 litros nas costas pelas estradas afora… era real, mas parece irônico pensar que a única coisa que você precisa se preocupar enquanto o corpo reclama por isso, é comer e dormir… simples assim e fácil demais…

Criar é um ato que se pratica o tempo inteiro dentro de uma mente que está presa, se não por barras de ferro, mas por um sentimento de contração que não se explica, como se o músculo fizesse força ao contrário, e garanto não é uma sensação muito boa, principalmente quando se percebe tantos erros de digitação durante o processo… aiai…

Tenho um processo que é muito livre, talvez muito alucinado e muitas pessoas não compreendem, era o que ele às vezes sentia, quando estava no canto olhando para o nada, imaginando um vazio imenso, o coração reclamando amor, pulsando dor, e a água escorria quente pelo rosto… livre-se das correntes, coloque-se a prova, se é o que você quer… em uma só vez, entendendo isso de verdade… é necessário prazer!

A leveza começa com música, um som devagarinho que chega acalentando os ouvidos e levitando os sentimentos, deixando as energias subirem, sentindo aquela coceirinha prazeirosa que temos em várias partes do corpo… ao mesmo tempo, a voz era suave, um pouco estridente, mas alegre e forte… fazia você viajar para o lugar em que aquilo tudo acontecia, e cara, que delícia, a maioria das vezes eram pelas praias…