Justificando um Fim…?

A grande sacada da vida é saber viver esse curto momento em tempos históricos contados por humanXs em leveza, entendendo que se deixar fluir em prazer (não no sentido pejorativo ou leviano), talvez essa “maldade” não fosse tão aparente… olhos estão fixos observando tudo, não há uma expressão que explique suas emoções, mas para quem os vê, o que traduz é… e daí?

sente o líquido que estava gelado antes descendo pela garganta e não sente prazer nenhum; e mesmo assim o engole mandando uma informação falsa para o cérebro… esse líquido te deixará mole, e você estará aberto o suficiente para discutir novas ideias…

naquele dia chuvoso, nosso amigo guaxinim usava seu moletom mais quentinho, e com o notebook no colo, digitava alguma coisa, enquanto bebericava uma caneca de café quentinha… às vezes bocejava e abanava a calda… a cama parecia imensa para o quaxinim e em sua beirada havia livros empilhados por metodologias… o quarto estava extremamente organizado, fazendo-o parecer do signo de virgem, com cores sóbrias em um clima bucólico e infantil…

rádio-relógio, um cactus e fotos espalhadas pela janela coladas com post-its coloridos marcando datas, locais e contatos das pessoas por ali… ao som de jazz, continuava escrevendo e balançava o corpo no embalo do sax, piano e percussão… o que foi que aconteceu para ter esse temporal… é apenas na natureza ou aquela ideia sem uma certeza de que em tudo ocorre o caos, pois é através dele que veio a poeira cósmica que gerou tudo que aqui estamos e habitamos e… será… de novo isso?

ele percebeu sentado ao tronco de uma árvore através de horas de reflexão que podia ter leveza, tempo para fazer suas coisas, tempo para fazer suas “obrigações sociais” caso vivesse em “sociedade” e usar disso, já que é um sistema geral e comum independente de culturas e línguas, ou distâncias e fronteiras… podia viver e morrer em paz!

Quimera…

Deveria ser em um cenário utópico de alguma sociedade hiper avançada com valores completamente diferentes dos nossos, tanto individuais quanto coletivos… contudo a vida era por aqui mesmo, com suas nuances de relacionamentos marcados por ideias distintas de um ser que compreende minimamente a maior duvida de todas, “o que eu vim fazer aqui…” para cada um de nós, ser de uma espécie, ninguém tinha a resposta, alguns poucos procuravam e tentavam transmitir através dxs Cavaleirx da Virtude… A Religião foi criada pelos humanos, mas era forte demais através de uma fé, às vezes tão forte que realmente podia “abrir marés” e “mover montanhas”… Apartada por alguns outros humanos, ela seguia firme na loucura mundana, onde hecatombes aconteciam devido aos fortes adversários conhecidos como Os Pecados Capitais… A alegria rodeava, apesar dos dias sinitros que se seguiam enquanto aquela espécie cometia mais e mais atrocidades com seus semelhantes, desviando as palavras da Religião… Que dessa vez apoiada pelas suas “irmãs” de Virtude, Filosofia, Artes e Ciências andavam determinadas a conquistar suas amplitudes entre aqueles seres, e muitas vezes de formas colaborativas, juntavam-se para definir novas disposições para os relacionamentos abobados, deixando fluir mais e mais “princípios” de novos tempos, diferentes ideais… Em uma macro ideia, só vale a guerra entre as Virtudes e os Apocalípticos, tudo em uma ficção só!

Paralelas…

Estavam lá aqueles dois camaradas sentados na beira do mar e conversavam sobre essas relações bizarras que o dia a dia nos trazia… um disse “… cara, o idiota que cercou um pedaço de terra ferrou a vida de todo o mundo…” e o outro emendou “…a partir dai, amor, felicidade, e até mesmo a paz estão sendo comercializadas com o nome de verduras orgânicas, carros hibridos e experiências de viagens…” cairam na risada, terminaram de fumar a planta da conectividade e foram nadar… antes, deixaram chinelos e um isqueiro e correram para a água… a sensação deliciosa que o gélido azul trás quando se relaxa, deitando sobre a espuma branca das ondas, deixando o movimento de vai e vem balançar o corpo como em um berço, e os barulhinhos diminutos que estalavam nos ouvidos, contando as histórias de amor das pedras e dos ouriços. De olhos fechados, ele abriu os braços e pensou na quantidade de vida que existia naqueles sons… viu cores brilhantes arrepiarem seus poros, sorriu como criança ao afundar o corpo e trocar olhares com peixes, polvos e estrelas do mar… ao subir de novo sentindo a água escorrer pelos ombros, olhou em volta quase trezentos e sessenta graus, e aqueles prédios enormes pareciam distantes, como em um quadro pintado sobre as montanhas verdes e marrons… um deles voltou a falar “… cara, é viver na paralela, achar as coisas que se gosta de fazer, e fazer…” o outro, que é um músico espetacular, só pode rir com tal afirmação e completou “… vamos fumar mais um e ir para a rua tocar, hoje faremos um pouco mais do que o capitalismo quer, e depois podemos voltar a viver a vida de verdade…” e mergulhou na ternura azul do dia…

Simulador…

As lembranças são algo engraçado, até quando se está vivendo um momento suave… notas, lembrando também que cada um tem sua própria interpretação para o que é suave… sentido na pele, e sentindo os raios matinais ebulecerem a mente e arrepiando corpos humanos que estavam lagarteando pelas areias praianas de qualquer litoral paradisíaco, e olha, tem tantos que eles já conheceram e outros tantos para se conhecer que uma só vida é muito pouco para esse jogo…

Referências…

Ahhh… e lá estava ele, sozinho novamente… é engraçado, quando foi que estivemos mesmo com alguém… a pergunta é simples, pelo menos ele achava… todos somos inteiros, todos somos únicos, e a tal sociedade pinta aquela máxima de procurar sua “cara metade”… somos metades para serem “completadas”… ele não acreditava nisso mas nem… fudendo! a melhor coisa que poderia ter feito é ter conhecido os contos de Bukowski e visto um documentário horroroso mostrando como aquele sujeito era ruim… um ser humano ruim… porém, verdadeiro… verdadeiro com seus sentimentos, com suas ânsias, com suas palavras, era isso que demonstrava em seus contos, com seu personagem alter ego, destilando à verdade que não gostamos de ver nem de saber, preferimos as notícias ruins de que as guerras acontecem longe de nós, ou as novelas criando fantasias de amores impossíveis e que os “malvados” serão punidos pelos seus crimes… ele parou e pensou de novo, tudo isso é humano, vem sendo criado por eras e eras, nem sabia mensurar um tempo, só sabia que desde o início e desde o sempre, parece que a falha humana, ou a fome de bactéria, o instinto de ataque gratuito, e só por que sim…

Esse próximo parágrafo será melhor, ele dizia… todos os dias de sua vida, todos os momentos em que acordava sem entender o por que estava acordando, por que seus músculos reagiam e seus olhos se abriam e ele sentia a energia entrando… estava vivo! Então vamos começar mais um dia, o dia a dia, lembrando os caminhos paralelos… saiu a pé, foi fazer aquela tal busca que já colocaram nos guias de turismo que você vai encontrar seja lá o que for, se fizer, caminhos de compostela, lembrava a ele de “compota”, de morango ou de cereja, tanto faz, gostava de frutas… O que ele queria com isso, escrevendo dessa forma estranha, às vezes pontuando coisas que pareciam não ter a menor ligação entre elas… lembre-se, se viemos do pó e a única certeza era a morte, ele escreveu um conto chamado “Tudo”, e o universo, quando você olha pro céu escuro e vê as pontinhas brilhantes lá em cima, são estrelas, será que são… e lembrou-se de uma pessoa que passou a atmosfera que relatava o quão pequeno somos, um sentimento de imensidão de vida, de grandiosidade, mas não do ser humano, e sim de um todo, dos azuis, das nuvens cobrindo a terra, dos movimentos da natureza… e não dava para ver pessoas, elas estavam lá, ele sabia, mas não dava para vê-las… qual é a sua importância?!

Para… Tudo!

A robotização era algo que deixava ele muito inconformado… as gerações passam e passam, porém não mudam sua forma de atuar num mundo pra lá de lindo, cheio de coisas maravilhosas para se conhecer e fazer… em um lugar onde liberdade significa cumprir tarefas, ele se sentia mesmo vivendo em um video-game controlado por alguma entidade sarcástica que infelizmente só propagava as mazelas que existem mundo afora… pelas populações inconformadas de uma espécie que sequer procura mesmo viver o dia a dia de forma leve, que está apertando parafusos e acha legal e importante fazer isso para uma empresa de renome, para um status social, para um lugar melhor ao sol… opa, se quer um lugar ao sol, vá para a praia meu amigo, não entendi sua escolha de viver como todos os outros, cegos por viseiras de regras que nem sequer sabem de onde veio ou para onde vão, seguindo filas e mais filas… viajar para europa e ver a grande torre de ferro, passar um perrengue danado para tentar tirar uma selfie que mostre toda a grandiosidade do ser inventivo, fazer aulas de yoga, com horários programados como as massagens terapeuticas, ou a limpeza de dente, sou uma pessoa legal por que tenho amigos de diversas etnias e opções sexuais variadas, e eu não tomo leite por que não sou bezerro, mas o leite de caixinha está lotando as prateleiras dos mercados… e a grande maioria, seguem os alarmes, para acordar, para almoçar, para mecanizar seus movimentos, para ter seu intervalo de trabalho, para seu relaxamento, para… para tudo!

Ahhh que Saudade…

Era assim que essa história longa iria começar, com sentimentos maravilhosos sobre o cotidiano humano, aquelas coisas do tipo acordar junto e trocar os primeiros olhares, os primeiros carinhos… café da manhã variado em cidades lindíssimas e pessoas tão amistosas abrindo seus lares, seus comércios, recebendo as pessoas com os braços abertos, um brasil que não é divulgado nem mostrado pelas grandes redes de comunicação, nem pelas pessoas que estão lá em “cima” governando… são tantas bobagens com tantos personagens que curiosamente dependendo da escolha que faz da vida, você vai fluir apenas com coisas boas, desviando dessas situações “estranhas” que não nos compete compreender, levando apenas um sentimento grato de existem notícias boas, e são elas que estamos levando pelo mundo afora…

O cheirinho do café entrou pelo nariz e fez o cérebro vibrar em festa, o sorriso abriu e o corpo todo estremeceu de felicidade… frutas frescas, um rio lindíssimo para aclimatar todo o lugar, às vezes era azul, às vezes ganhava tons de verde, a vozinha levanta um pote que ainda está quente, e dentro dele a farinha de gergelim que acabara de ser colhido, e ele lembrando da explicação toda, de um processo delicado para chegar às suas mãos e salpicar sobre a banana colhida do pé e amassadinha, colocada na boca e fazendo o corpo ter pequenos arrepios emocionados pelo sabor natural das coisas… coisas que os seres humanos estão deixando de presenciar, por não entenderem que segurança, polícia, essa política, a rotina cansada do trabalhar, e a pior escravidão de todas, seguidas pelos alarmes de relógios e calendários, com pessoas crendo que é muito importante e legal seguir, mesmo sabendo o resultado final… ninguém muda, não se dão chances, o céu é azul em vários lugares, por que achar que parados conseguiríamos atingir um êxtase de vida…

Mais de 8.000km rodados, mais lugares e mais pessoas… mais histórias apetitosas irão se firmar, serão contadas em livros e filmes, serão levadas para as crianças, para as pessoas que gostam de histórias, que são curiosas pelas vidas… ele parou com ela em uma pequena cidadezinha que conheceram num passado recente, produzindo arte, levando amor, cultura, e o melhor de todas as coisas, com aquele bom papo que agracia a todos, precisamos de educação minha gente, é a única coisa que pode “salvar” de verdade, pessoas pensando, pessoas realizando coisas boas, pessoas passando seus saberes empíricos… Ah que saudade da boa educação…