Sem Rumo…

coloque um pé na frente do outro…

uma visão para se abrir…

agora é seguir… esquece o medo!…

com todo esse peso que eu acreditei ser necessário para essa jornada…

que foi e voltou… tantas e tantas vezes…

como é sua vida, poderá ao envelhecer contar o que?…

uma caminhada de asfalto ou uma trilha no meio da mata…

quando eu achei que estava chegando…

não havia nem mesmo começado a entender…

pensando que era um fim…

e a vida mostra que sim…

só são inícios em idades diferentes…

amálgamas fluidas de células e estrelas…

e morri mil vezes e nasci outras mil…

cresci conhecendo um mundo…

perdi ao escolher só para mim…

havia mais terras para se caminhar a pé…

sentindo que aquele brilho quadrado não iria mais me sugar…

coragem…

cansaço…

força…

e uma enorme gratidão…

haviam pessoas pelo traçado…

eu pedia uma nuvem para beber água…

a paisagem infinita se estendia à minha frente…

sem saber o próximo destino…

músculos fortes comprimem lágrimas salgadas…

barraca…

lua cheia…

risadas por estar perdido e pensar… “caralho, como sou idiota!”

e poder sentar em frente a um computador e escrever essa história…

mesmo enamorado pelo intencional…

sem nenhum plano e seguindo apenas minha própria intuição…

fogueiras e boa companhia…

surpresas e alegrias…

Contagiados…

será que ele lembrou por que hoje era um dia de terapia… e aquilo o deixava tão bem com tanta alegria… porém…

esse começa assim…

chega de tanta hipocrisia… das pessoas que vivem em todos os lugares como se nada houvesse, fora de seus estômagos bajuladores e de suas jóias pegajosas…

sempre vivemos em pandemia… ou realmente cremos que ficar comprando e comprando e tendo e tendo, entre prédios enormes e pálidos que cobrem toda a paisagem de cinza, e não um cinza bonito… um bem feio mesmo!

não sei como viver, são filosofias… só conheço o tempo que vai para frente… infelizmente… então me basta navegar nesse mar de mente que viaja descrente de que em algum dia uma nave espacial vai me mostrar muito mais do espaço sideral…

o inverno se transformou com suas temperaturas alucinantes… em um inferno…

as pessoas acham tudo muito lindo e surrealista e eu pergunto, vocês entendem as entrelinhas, o choque de estarmos simplesmente deixando tudo passar por que tem alguém que falou “arrumem um emprego para eu poder gozar…”

ai caras, não vamos deixar isso passar… chega de tanta hipocrisia, sempre vivemos em pandemia… carros, prédios, políticos corruptos, reinos corruptos, não existe manual de boa conduta, viemos pelados, esses pequeninos que não vemos a olho nu já estavam aqui antes mesmo de sabermos falar…

houve troca de arte pura… se encontraram pelo cinema, ela escrevia, ele pintava… hoje ela é uma artista, ela viu que podia ir mais do que as limitações que falaram para ela que teria de ser… se está certa ou não, ninguém sabe, ela também pode ser contagiada por eles… mesmo assim, fez aquilo que eu acredito que faz a vida valer a pena, além da hipocrisia e das pandemias é claro…

ela lhe apresentou músicas… ele se abriu… ele falou pra ela “vai voar menina, você pode fazer o que quiser…”

superando suas próprias cismas, a zona de conforto, sua maldita… os dois deram risadas e continuaram naqueles papos intangíveis para descobrir as paralelas da vida capital… ainda bem, eles fizeram um longo e meloso amor e concluíram em prazer, ainda bem que existem “pandemias” de amor também!

GOZO!

É em cima de lendas. De narrativas urbanas. Líder de um bando. Dança de sinônimos. Superpoderes. De batidas únicas!

… eu te acho uma das pessoas mais bonitas… de aparência mesmo… e gostaria de frisar que isso deveria ser considerado elogio… apesar de nos dias de hoje, elogios são agressões, e se for sobre a aparência então… mesmo você pesando 135kg, tendo os cabelos assim encaracoladinhos e essas doze tatuagens espalhadas pelo corpo… sei que isso soa como preconceito, já me peguei pensando diversas vezes sobre esse assunto, mas eu realmente gosto de você assim… hm, sei…! fui ofensivo? você está pensando em mim quando olha para mim e fala essas coisas todas?

havia aquela garota de origem distinta para mim… quem eram seus parentes, sua mãe e seu pai mesmo, eu nunca soube… e então você percebe minha querida pessoa, tem que ser forte, encarar muito mais do que seu visual para poder tocar seu instrumento e gritar no palco um belo foda-se para todo mundo…

diversas vezes pensando sobre temas que todos consideram polêmicos… e uma preguiça danada de não conseguir entender como não conseguem se entender…

as mãos tremiam… os corpos estavam nus e os celulares estavam conectados a tomadas… foi quando mesmo, 2015, 2013… passaram-se dois anos… vários anos, quais desses anos é importante para se contar uma história… a não ser…

todos eles… mesmo que não saiba o segundo seguinte daquilo que está pensando enquanto escreve após aquele gozo profundo e aquoso… essa é boa!

ficou feliz em ver fotografias e as mudanças positivas… como o envelhecer trazia novas noções, que com certeza, pensava em seu canto às vezes, soubesse disso antes, e tomando banho também… … … tempo!

Mais Reticências…

seria como contos casuais dessas pessoas que estão passando por essas ruas cheias de prédios altos em condomínios cheios de cercas elétricas e guaritas de seguranças e tudo isso lendo assim mesmo sem nenhuma vírgula… a vida é esse sufoco, ou era para ser?!

morcegos caçam besouros pelas escassas árvores nas cidades, dando rasantes e mostrando um pouco da natureza selvagem e imbatível que existe por aí… e ali também! pensamos em responder mensagens constantes que nos manipulam, levando a uma estafa total de ser um ser…

não era para ser bonito, nem nada disso, às vezes, são socos de realidades diferentes que precisam ser ditos e até mesmo discutidos entre milhões de partes igualmente distintas… deveriam ter o diálogo margeado por respeito, mas de quem para quem, a mente voa e você sente um pouco acima da nuca, parece que é o tal córtex cerebral… então sim, temos que aguentar certas porradas que em teoria, não vem de nós mesmos… assumamos nossas culpas!

sentados em uma deliciosa paisagem que mesclava aquela pequena cidade no meio do “nada”… “sabiam” das histórias que rolavam mundo afora, ficavam aflitos por algumas, afinal quem é que gosta de guerra e de ver pessoas e seus pedaços voando pelos céus… ops, sim, isso está acontecendo agora, e sim também, e negamos, é um filme, somente em filmes acontecem essas coisas… e um sujeito magrelo segurando uma placa com escritos errados te pede uma ajuda no semáforo, e ignoramos, baixamos o rosto, não é real…

lembram, o parágrafo anterior começou lindão e terminou… como podemos dizer isso, julgar tudo, como se fôssemos os donos da terra… em toda nossa humildade, a virtude da Ciência comprova todos os dias e mesmos os “grandes” cientistas às vezes não compreendem as mensagens… outros pensam, então por que se preocupar…

Filosofia estava um tanto cansada naquele sábado a tarde… ela gostaria de sentar-se na rede que se encontrava na varanda de madeira rústica… tão lindo o visual, então pediu para os humanos, não pensem demais por hoje, não está adiantando muito está?!…

Concreto Verde…

ela estava dormindo com a gata e a cachorrinha ao seu lado… e ao lado o aquecedor… sobre tapete florido da sala…

era inverno, o sol brilhava num céu acinzentado, porém o frio comia os dedos dos pés de dentro para fora; era necessário se proteger…

e isso em um tempo ao qual as pessoas dizem ser distinto… ele fumava um cigarro pendurado para fora de seu apartamento no décimo primeiro andar, e via, e ouvia…

e toda aquela balburdia era a violência mental intensa que ele não queria mais sentir… e passou a se imaginar como um primata escalador… um ser que não fazia mais parte daquele mundo granulado…

iniciou um bailado, experimentando os limites do seu corpo, esticando os braços, vendo seus alcances; e depois com as pernas e esticou seu pé até sentir seu músculo deformar… braços mais longos, pernas mais fortes, e gritos histéricos mostrando dentes selvagens…

pulou de um lado para o outro com sua coluna arqueada e às vezes parava gritando e batendo no peito… rasgou toda sua roupa e nu olhou para baixo, em seguida saltou desenhando um arco no ar com seu corpo inteiro e curiosamente atingiu um… colchão!

ela seminua o abraçou por trás e o puxou, caindo juntos de costas e com muitos sorrisos na cama… ele com os olhos arregalados, ela com a pele morena e lisa… a bandeja do café mostrava que o tempo passara, pratos com restos de pães, um pote de manteiga e outro de pasta de amendoim (quem come isso?!)…

depois de fazerem amor, conversaram um pouco debaixo do chuveiro… “foi tão real, eu pensei mesmo que era um macaco e que iria pular pela floresta adentro…”

Absorvido…

letárgico…

larva…

ondulantes…

estímulos…

tintas…

roxo…

tons…

descendentes…

colunas…

tédio…

grudentos…

estalar…

mal…

positivo…

choques…

respiro…

abrir…

um poema que poderia resumir um milhão de sentimentos, sensações ou acontecimentos… o que é para vocês…; pois para mim…

nascimento…

Já está terminando…

eram apenas sete minutos para viver…

sete minutos para se levantar da cama…

sete minutos para saborear uma fruta…

sete minutos para fumar um cigarro… ou não…

sete minutos para ler um livro, ou pelo menos algumas páginas (?!)…

sete minutos para caminhar…

sete minutos para um beijo molhado…

sete minutos para estudar uma língua…

sete minutos para trabalhar…

sete minutos para escolher fazer o que quiser…

sete minutos para estar com seus amigos e família… ou sozinho!…

sete minutos para curtir o por do sol…

sete minutos para curtir o mar…

sete minutos para ler as notícias e se desesperar…

sete minutos para terminar a sessão de terapia para aguentar!

sete minutos de música que enlouquece…

sete minutos para sentir os cheiros penetrando e aguçando seus sentidos…

sete minutos para qualquer coisa que aconteça na vida…

e a escolha foi terminar de ver um filme na TV… o caixa difícil de vencer! =P

pequenos prazeres da vida…

a memória é um trem muito doido… ela é linda quando nos coloca dentro de situações lúcidas em nossas mentes… que nos mentem… em formas de…

memórias…

ela nos carrega para prazeres deliciosos como um café matinal acompanhado de uma pontinha minúscula num dia chuvoso; delícia de sentimento, a brisa fria pelo corpo, as folhas das árvores lambidas pela chuva e pelo vento em um ménage da natureza…

justificando algo que não é necessário, discutindo vídeos de gatos tentando se mostrar inteligente usando palavras que não existem no dicionário… sentindo na pele do peito um frio rejeitado, conversas aleatórias se permitindo conhecer pessoas… quando foi a última vez que você conheceu, ou melhor, se deixou levar e se abriu para outro alguém…

e conversou sobre gatinhos…

viu as árvores se transformarem, de verde para o rosa, perdendo folhas pelo caminho, ficando como se estivesse morta, e “revivendo” na primavera seguinte…

a memória celular, que está espalhada por nosso corpo, o amargor que desce lentamente do céu da boca, e é tão bom, lembrar…

tem pessoas que preferem azedos e ácidos, não só os sabores, nas escolhas da vida também… eu humildemente prefiro doce e amargo… misturado então… hmmm!

e uma laranja geladinha pela manhã… a obediência de toda sua estrutura física, estudos de línguas estrangeiras, ler e escrever… e a convivência com outros seres fazem com que você queira se afastar, ou melhor, entrar para dentro de si mesmo, um estudo de seu próprio interior intestinal, de suas secreções e das conexões iluminadas neurais… o frio na boca do estômago, está tudo aí dentro de você, daqueles ali, e de outros por aí… talvez de tudo, ninguém sabe ao certo como isso funciona… porém está em mim também… e eu gosto muito!

Que Essa Nave Nos Busque Logo…

era por volta das doze horas matinais quando resolveram sair da cama… elx usava usava um conjuntinho básico e preto de lingerie, e elx um short amarelo estampado com pequenos cavalinhos verdes… espreguiçaram-se e chegaram ao consenso… “não temos nada para fazer…” olharam-se com sorrisos largos em rostos estreitos e saudáveis… elxs moravam em São Paulo, uma dessas metrópoles que foram modificadas pelas pandemias de seres humanos… “sim, essa é a realidade socada em todos nós, seres humanos são como pragas”… elx disse à elx… ficaram em silêncio por uns segundos pensando naquilo, e elx perguntou de volta… “nós dois somos humanos, e eu não me considero uma pessoa má; e nem você…”…

foram do azul e branco para o preto, degradê até o branco novamente… como uma névoa que nos abre possibilidades diferentes por não sabermos o que está pela frente, isso é o que víamos… porém pessoas irão questionar e apontar com aqueles dedos inquisidores… “o azul era mais bonito!” olhos arregalados e dentes cerrados… e outros dirão: “gostei dessa estética, está “retrô” e “hipster” ao mesmo tempo, super moderno!”… olharam de lado e caíram em risadas, afinal, quanta babaquice não é mesmo… “o que você acha que irá fazer então?” dessa vez os personagens tomaram seus aspectos de gêneros sexuais, amalgamados de luz e som, suas células radiantes formaram o ser humano feminino, com seus seios protuberantes e bacia alongada no comprimento… levantou a mão esquerda alongando os dedos que surgiam como pequenas cobras verdes reluzentes e em sua frente, brilhando em tons adjacentes aos dela, com um aspecto mais robusto, seios reduzidos e caixa torácica ampla, o ser humano masculino encostou seus dedos azulados e uma pequena explosão de luminescência…

o barulho da água caindo trouxe-os de volta àquela realidade estranha, onde uma espécie atacava seus semelhantes abertamente enquanto outros cumpriam suas tarefas na esperança de alcançarem o topo da cadeia alimentar, e ficar ao lado dos corruptos e crápulas que pouco se importavam com o povo daquelas colmeias… elEs já haviam decidido que todo aquele mundo era deles, que todos os recursos naturais e criados pelos seus cúmplices, eram deles; não importava a vida dos velhos e muito menos dos mais pequeninos… uma espécie que chamavam de reptiliana, mas que para aquelxs duas pessoas que adoravam filosofar pela vida comendo pão com geleia e fumando seu baseado, eram os próprios humanos que não se assumiam… e então sentiam-se tão impotentes e ignorantes como todos os outros, afinal também continuavam acreditando que algum dia uma nave astral chegaria para buscá-los e livrá-los daquelas chatices todas…

literalmente! risadas!

Ruas…

um após o outro, haviam esses degraus que contávamos ao subir… um… vinte e três… trinta e cinco… cinquenta e… quantos serão? aonde estão nos levando… essa mulher que usava um vestido roxo olhava para uma outra pessoa do outro lado de uma rua, que parecia um tanto chique… a rua e a mulher… que usava um batom vermelho e isso não combinava tanto com sua roupa, mas até aí, o que tem… e a rua era iluminada por uma cerração amarelada… hmmm…

seguiu-se ouvindo aquele chiado que procurávamos de onde vinha, ou o que fazia aquele som que durante um tempo que se tornava insuportavelmente hipnotizante… foi um sonho aquele mundo parado onde as pessoas viviam apenas por aparelhos eletrônicos de telas interativas como essas de filmes com vidros especiais, brancos iluminados e com aqueles desfoques cintilantes nas bordas… como um espelho, se olhássemos do outro lado, veríamos nossa versão… qual veríamos?

marrom, dois, aquarelada, vermelho, terra, cobre… ouro… numeração das cores, cento e vinte e dois, dezoito e quatro… não sei se é essa a ordem, mas não faz o menor sentido quando aquela mulher com seu vestido roxo cruzou a rua e, quando chegou do lado de cá, estava olhando para si mesma, vestindo outras roupas, porém a expressão facial angustiada de quem não poderia compreender tamanha loucura… será? ela usava um chapéu enorme e vermelho e parecia um personagem brega e rica desses seriados americanos… uma preguiça de pessoa… no entanto, como podemos julgar somente pela aparência…

elas apertaram as mãos, as sensações eram gélidas, e as imagens líquidas… oi, meu nome é… eu sei… o meu também… ela levantou a mão e tocou no rosto da outra, e fez um leve carinho com os dedos… seus olhares se cruzaram e seus batons vermelhos recostaram-se sentindo a maciez toda dos lábios… elas se afastaram um tanto envergonhadas, mas ao mesmo tempo felizes… as imagens correspondidas afastaram-se atravessando as ruas perdidas daquela fria cidade… e deixando borrões vermelhos e cerosos nos espelhos…

seguiu-se outras cores e outros números, e pareciam apostas de jogos em cassinos miniaturas de um parque de diversão cercado pelos tubarões que usavam ternos e gravatas espalhafatosas… chamavam aquilo de engenharia, era um nome bonito; até que criaram um dispositivo que nos dava uma visão de cima daquilo que havia sido criado, da imensidão de concreto sufocante pintadas por grades de cores enferrujadas… pássaros mecânicos riscavam os céus desenhando as mesmas ruas e estradas que víamos lá embaixo, no formigueiro, onde a seguíamos junto as gotículas da garoa, aquela sombrinha da mesma cor do vestido que persistia em atravessar…