Contos Curtos… Produzindo…

Estamos em produção… Venha ver como vai em: https://issuu.com/periclesemr/docs/e-book_ccdvlf_periclesemr e divirtam-se! =D

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Que Lindeza…

Movido por um só desejo de entender o que significaria tudo isto que ninguém explica ou sequer estão a procura, e se estão, onde é que essas pessoas estão?! Ele havia decidido com tantos sentimentos contraditórios que iria embora, que havia chegado o momento fatídico da “quebrada”, ou da “virada”, ou de qualquer outro nome bobo de livros de auto ajuda que não fazem o menor sentido há não ser mesmo pela própria ideia.

Ele estava vestindo uma calça jeans básica, um adidas preto nos pés e uma mochila de mão. Ouviu ela dizer que acreditava que nunca mais se veriam… Isso mexe mesmo com você não acha? Ele seguiu pelo grande portão do aeroporto até encontrar a área de espera. Trinta horas depois, uma amizade de dois dias e uns minutos, começava ali à viagem, o que a gente busca, e jamais encontra, mas que pelo caminho se satisfaz e se satisfaz pelo simples fato de se permitir ir viver uma vida sem o calendário e relógio te guiando… pelo menos por momentos era assim. Nos dias de adaptação, enjôos e visitas irregulares ao banheiro, seu corpo se mantinha alerta por não entender 100% a outra língua, por não encontrar às coisas conhecidas no mercado, coisas materiais que te trazem “conforto”… se era pra ter isso ou ser assim, aliás, não entendia pessoas que planejam por anos e anos suas vidas insossas e sem graça, com aquela ideia absurda de que viajar uma vez por ano para a Europa era a satisfação total da vida…

Ele se apaixonou várias vezes… e viu apaixonarem-se por si e viu pessoas se permitindo, ele se permitindo e por vezes, ninguém… com aquele sorriso de lado e o baseado no canto da boca, alguns dias em uma praia, outros dias em uma cidade, outros dias isolado em uma chácara no meio do mato… cara, ele pensava consigo mesmo, essa tal liberdade de fazer o que tá afim de fazer, é real… estou mesmo escolhendo isso ou sendo levado pelas opiniões e oportunidades alheias a mim, pois são pelos contatos, pelos conhecidos que ele começou a seguir seu caminho, e claro por mais diferente que seja morar em uma ilha em pleno meio do pacífico sabendo que um tsunami pode engolir tudo em uma pacata noite do outono, e que em sua vida talvez uma outra pessoa não irá deitar com uma roupa íntima do seu lado no sofá se insinuando inteiramente para você, e o que fazer, esperar a hora do alarme, por a roupa, trabalhar, casar, ter filhos, envelhecer, ir para onde, até onde, e ele continuou ali, sem saber direito o que queria fazer, se era isso ai que era, desde que seja bom para si e para seu entorno, ele sempre pensava nisso… passaram cinco anos, entrou no sexto ano e olhou para trás… que vida legal!

se ao chegar na velhice você não estiver satisfeito com o que viveu, e quiser viver mais por que percebeu tarde demais que não iria dar tempo… muitas risadas gostosas e verdadeiras foram dadas com as lembranças mais distintas possíveis, dos amores, dos céus e montanhas, das experimentações radicais de surfar, escalar e pular de para-quedas, e das experimentações conhecidas como “slow”, viva a vida, aproveite seu tempo, ele pensou nisso de novo, e voltou a pintar aquela tela que havia alguns meses começado…

Amores Impossíveis…

chuvadebaleias

https://issuu.com/periclesemr/docs/chuva_de_baleias_periclesemr

Contos surreais de uma pessoa tentando entender ainda para que serve o tal “viver a vida”… Divirtam-se! =D

Espécies…

Serena pode viver mil anos. Buk está fazendo noventa hoje. Ele é humano, ela é uma… sereia! Ele irá ter sua passagem de vida terrena em breve, e ela irá continuar… sem ele. Ela olha-o com profundo amor, algo impossível de se imaginar para a espécie dela. Humanos são alimento, não machos de nossa espécie. Era a lei. A regra maior. Ela desobedeceu sem pensar. Ele pagou muito por isso, mas era agradecido a ela, aprendeu a amá-la e a respeitar sua natureza. Aprendeu a conviver entre espécies. Ela lhe disse que poderia lhe dar a vida eterna como a dela. Que se passasse a “semente” ele poderia se transformar em um “sereio”. Ele amava-a demais. Em outras circunstâncias talvez tivesse aceitado a oferta. A questão era que ele viveu a maior parte de sua vida, aliás desde os dezesseis anos de idade com o “veneno” dela em seu corpo, controlando-o. Ele nunca teve certeza se suas próprias decisões eram mesmo suas. Sentia sempre muita dor na altura do estômago, e a cicatriz pulsava queimando toda região. Com o tempo, ela o permitiu casar com uma humana, deixou-o procriar e ver seus filhos terem filhos. Agora ele estava satisfeito, disse a ela que não queria mais tempo de vida, que não precisava pois teve uma vida feliz, ao lado da “mulher” que amava, conviveu com uma pequena família feliz e teve muitas aventuras de tirar o fôlego. Ela lhe deu um beijo na testa. Levantou-se da cama com os olhos cerrados e apagou com um sopro a vela no quarto de Buk “Quatro Olhos”. Serena saiu pela porta em direção ao cheiro do oceano. Sentiu um arrepio na pele e entrou lentamente no mar, sem olhar para trás nenhuma vez. Com uma lágrima escorrendo sua face rosada, ela deixou a cauda tomar conta batendo com força e fazendo-a mergulhar com um estouro rápido. Seu pensamento foi… “essa é a última vez que me transformo em humana!”

Sentimentos Inversos…

Os encontros da vida… de uma qualquer sendo escolhida, sabendo que esse tempo estranho só vai e temos essa sensação de perda constante, como se fôssemos realmente donos de alguma coisa se nem ao menos possuímos razão alguma para controlar os próprios sentimentos, aquilo que acreditamos que vamos dominar, imaginando aquela cena insana de estar frente a frente com um leão ou alguma outra forma de vida que irá nos matar só por existirmos, sem nenhum preconceito ou julgamento… o ciúmes, esse sentimento odioso anda de mãos dadas com a impulsividade, não importa quando nem como, é a combinação ideal para a bomba atômica, uma explosão insana de sentimentos absurdos em interação completa com uma infinidade de palavras, gestos, expressões corporais, um tigre e um touro, dois monstros em um, uma fúria idiota…

Óbvio que quando esses dois encontraram a raiva, uma águia com uma envergadura colossal, veio bater de frente com tudo. Em um cenário para lá de ruim, parecia que as coisas não iriam melhorar a não ser por uma única e simples ideia de vida… o que você quer para você, aquilo que escolhe, que lhe faz bem, depende apenas de si, ou você coloca a carga em cima de outra pessoa… Ponderar sobre isso o fez sentir as coisas de uma forma diferente, a tal empatia como uns dizem por aí… ninguém disse que seria fácil, mas quer saber, é melhor assumir os erros e dar a cara a tapa, que não dá conta, que tem fraquezas, que é ser humano como qualquer um… e que infelizmente também magoa as pessoas, mesmo sem saber o por que, sem entender um como disso e para que isso tudo acontece… só queria que as nuvens fossem embora, que o cinza voltasse a ter cores, pois desculpem-no, se tudo são fases, e a maioria delas em cima de escolhas próprias, ele preferia as cores, sempre!

Seria o Ócio um Pecado…

E se ao olhar pela sua janela, essa seria a primeira pergunta, o que é que você estaria enxergando… de outra forma, aquilo que está lá, é o que é a verdade sobre o que é… Havia uma única cor escura e espessa. Tomava conta de tudo e dava para ver, de tempos em tempos uns pontinhos brilhando, como algo ganhando vida com uma explosão suja e voraz… aqui, ali, e em todos os lugares em que a vista alcança, os fulgores vinham e iam, voavam em todas as direções possíveis de se imaginar; ele disse dimensões, foi o que eles entenderam, ou era o que estava escrito nos apócrifos escritos pelos antigos humanos… seriam então pequenas janelas amareladas contando histórias distintas de personagens estranhos à nossa realidade, contudo com um maneirismo tão próximo ao nosso, que dava para confundir, se não fossem os detalhes de cada espécie… em um tempo não linear, onde apenas em nossa singular ignorância reinavam a paz e o amor, vivido de uma forma sequencial. Eles chamavam isso de “viver uma vida”, e os outros, bem, davam nomes diferentes para essas situações, um deles era “preguiça”…