Os Dias…

Uma viagem sobre todas as rimas…

sem nenhuma que iremos reconhecer…

a não ser que você saiba uma língua mundial…

onde a duvida está, deveria ser mais amplo…

deveria ser universal…

falar sem precisar da boca…

com a mente e o coração…

não é coisa de telepata, mediúnico ou religião…

é algo além da explicação…

humana… e sem razão…

é mais como as conversas das maritacas…

uma louca e desenfreada canção…

o bater de asas e as altitudes alcançadas…

uma viagem que alguns chamam de astral…

uns vão falar que é uma corrente do mal…

contudo uma personalidade extravagante…

poderia ter sido cuidador de elefante ou…

acho que já deu e um bom domingo pra vocês! =)

21:21hs

reflexos de tamanhos geométricos brilhavam luzes apáticas, e realçavam cortinas empoeiradas e cheiro de vinho fajuto… não havia lugar para o bom humor, poucas histórias eram contadas e os vazios eram preenchidos pelas sombrias distâncias entre as pessoas… as alterações de ânimos entre elXs entretinha os leitores e os amantes de um belo suspense romântico…

aquele padrão visual que também seguia-se pelas músicas e outras culturas, pelas artes e culinárias, danças e tudo o mais que as pessoas maravilhosas passavam seus dias produzindo, enquanto outras estragavam o planeta pensando em “ter matéria!”… pessoas comentavam a “chatice” diária justo no momento mais interessante de tanta criatividade científica e artística, por tantas renovações de ideias filosóficas e desmitificações de crenças seculares através da fé… por que estamos em uma transição danada, e isso é muito percebível em nossos dias…

discussões eram resolvidas com gargalhadas sofridas e choros duradouros, em companhia de abraços trêmulos e juras perpetuas de arrependimentos… os lares estavam tão cinzas e escuros quanto o céu noturno, e agora as poucas luzes não mais dançavam… elas entristeciam com seus desenhos retangulares todos os concretos da cidade…

havia um policial de estatura comprida dentro do saguão daquele pequeno hotel, ele apenas ajeitava seu quepe com seus enormes dedos e logo em seguida largava os braços para ajeitar o cinto… uma prostituta desceu pelos degraus que também levavam ao mesmo espaço, e balançou os cabelos ruivos deixando um lindo e esguio pescoço a mostra de uma mulher magnífica… um velho atrás do balcão olhava toda a cena por baixo de seus óculos arranhados, segurava um jornal tão velho quanto ele, e no canto da boca uma baga de charuto apagado…

elX desligou a televisão cansadX da mesmice dos horários… épocas estranhas em que os prazeres eram destruídos pelos pequenos egoísmos ao lado… tentou se excitar vendo vídeos pornográficos porém não conseguiu ter uma ereção… será que tudo acaba assim mesmo, se perguntava dentro da cabeça e fora de seu estômago… e dormiu sem entender mais um dia perdido…

era uma vez… e outra vez…

era um romance de comédia daqueles que você passa horas assistindo e se identificando sentimentalmente por detalhes que considera bobos, porém são completos e entendidos… sabemos lá dentro o que é melhor, só temos talvez, um “medo” de assumir…

era um daqueles livros tenebrosos que contam histórias em que a mente nos faz confundir se o que estamos vendo e sentindo é real ou não… ou se os sentimentos que acontecem o tempo inteiro são causados pelos sustos horripilantes durante todo o roteiro que te pega feito garras afiadas sedentas de sangue…

era uma comédia bem idiota, que nos faz dar risadas pelas conversas nonsenses e situações esquisitas, ou talvez tão anormais que o cérebro fica invadido de uma alegria estúpida e porventura, infantil… mesmo que aquilo nos pareça “adulto”… o que me faz questionar sobre esse tipo de filme ser mesmo só um besteirol ou se possui hiatos nas mensagens…

era uma aventura épica cheia de elementos de fantasia e episódios longos e árduos, com personagens cativantes que levam elementos de virtudes e limitações… nos identificaríamos de imediato com todos esses princípios humanos, pois acreditamos lá no fundo que somos os heróis de todas as histórias, inclusive a nossa própria… o nome do romance era “Santo Ego”…

eram tantas histórias para tantas escolhas que não cabiam pensamentos dentro daquela cabeça que estava enlouquecida de ideias e não sabia para onde seguir, e viu um desfiladeiro de pedras com uma daquelas pontes que são penduradas apenas por velhas cordas desfiadas… e do outro lado havia uma placa escrito…

Transe!

Ah caraca, não para nem passa, deixa voar, por que uma hora vai passar, tenta segurar ao máximo pra sentir da nuca até o frisson corporal, ninguém segura, sua mente é sua, livre e nua… vai continua… essa explosão sente-se como prazer, você começa a entender, como tudo seguiu de onde veio e lá longe se viu, barcos cheios de seres nus, entonando sons meditativos que colocavam todas as espécies vívidas conhecidas e não conhecidas, todos os lados azuis e amarelados, todos os bens e todos os males, todos os doces e todos os azares, a criação de tudo, um sentimento agudo… no umbigo, o início!

E para tentar estender essas sensações corpóreas que foram confundidas com pecados, e cumprimentar tudo de dentro para fora, e depois ao inverso, de um universo inteirinho seu, contado por você, que importa à única pessoa que irá viver e morrer até o último dia que toda a vida se tornar apenas um prazer… eu mesmo!

Corre, corre, antes que escorre… mais rápido que puder, mais um daqueles que chamamos de “soco na mente”, conectou novamente, entendeu mais rápido, aproveita que é só agora, por que a dispersão vai tomar conta, seja esperto e tenha foco, está acabando e sabe lá quando volta, se tem hora…

Embala, não importe-se com a música em si, deixa os ossos comunicarem com os sons, eles vão embalar toda a máquina com movimentos suaves, movimentos fortes… bons… e depois de um bom tempo conectado a tudo, ele para e olha, para a janela à sua frente que mostra coisas que ele não quer ver, e sua mente lhe mostra o que seu corpo responde com suor e êxtase, o coração batendo caloroso… até daqui a pouco!

Um Bom Jeito de Começar o Dia…

Acheiii!!! Ele veio correndo do quarto até alcançar a sala gritando repetidamente a palavra “achei”… Ela estava sentada em uma poltrona enorme; uma luz linda e amarelada entrava deixando o cenário mais suave do que poderia estar… Parecia uma fotografia clássica, de enquadramento perfeito… Ela lia uma revista qualquer, olhou para ele com um sorriso no rosto já curiosa para ver, o que ele iria lhe mostrar, com aquele instrumento na mão…

Veja isso meu amor! Sente só esse som… e começou a dedilhar criando um clima anuviado, de tons verdes mesclados com azuis e pequenos pontinhos cintilantes até chegar aos seus olhos e depois à sua boca… Ela ficou maravilhada com tudo aquilo e se embalou no ritmo, levantando-se iniciou um leve movimento com seu corpo esguio… Depois ele virou o objeto e começou a soprar em um outro tom, mais agudo e piado… O sabor que subiu agora era apimentado, passando pelas narinas, sentia-se tudo no caminho até atingir os neurônios… agora haviam mais cores… Quais?

Outro movimento do corpo, outra forma daquele estranho utensílio que se transformava e a quem estiver por perto… As nuvens agora eram roxas e cinzas… Diversos tons manchavam o lugar, invadiam seus olhos fazendo-os brilhar mais, as pupilas estalavam e viam mais, viam tudo, viam além… Os narizes sentiam sabores absurdos de bons, que se alternavam com os paladares sobre as línguas adocicadas e azedas das micropartículas que caíam sobre elas… A boca, o beijo molhado, forte, profundo, ardente, infinito…

Como a mente, como o céu, como a visão que alcança um limite, como àquele que rege à nós mesmos dentro dessa carcaça que está viva por que sentimos, e o que sentimos são respostas da luta da vida… chama-se dor… e a loucura disso tudo, ela é boa, por que nos mantêm… Em seus ouvidos elXs trocaram palavras doces, e sob todo o ar enebriante da manhã, fizeram amor e sexo, explodiram estrelas e criaram novas galáxias…

Espaço…

Ah mas que demora, ele sente… gostaria de mais e mais, porém os dias parecem também mais e mais… de um mesmo sentimento de que em sua volta, tudo está lá atrás… atrás… do que, de onde viemos, falamos da filosofia ou estamos mais uma vez repetindo os mesmos erros das “histórias”… aqui não fala um trovador, é mais um humilde de passagem querendo ser um escritor… transmitir através das palavras muito mais que as mazelas já vividas pelo ser humano, aquele que não tem… amor…

não é para demorar tanto, seu sentimento rasga de dentro para fora para mostrar para ele que o sangramento… usemos o tempo a nosso favor, vamos fazer mais por nós mesmos e pelos outros se usarmos… o tempo…

a nosso… tente não controlar tudo isso, tente não vir tão de longe, ouça o que está não na cabeça, mas no sangue chegando ao motor principal, aquele que bombeia… o tempo e o amor…

a história nos conta através de guerras e políticas, de conflitos e religiões, de caos e tragédias que seguimos muitas escolhas estranhas, e justamente em um momento de virada, não consigo entender mais nada, parece que as pessoas já esqueceram, e quem está na minha geração irá lembrar, já era assim na nossa infância, e para os que são mais velhos, dirão, isso não existe não… e aos mais novos cabe uma sabedoria que eles ainda não tem, não viveram tanto tempo para entenderem que poderiam mudar a vida de outrem… bastaria seguir a risca o que eles falam em suas redes sociais, somos pessoas bacanas, somos pessoas legais…

“governice quarentidena”…

de verdade sinto algo que talvez fosse visto como no mínimo estranho, porém é assim mesmo, com as pessoas que se dizem “presas na quarentena”… uma ideia humana para variar que nos põe em contato com nosso maior amigx e inimigx ao mesmo tempo… o que faz o cérebro ficar mais confuso do que já é nos dias que são considerados normais…

ainda não compreendo como a maioria leva a ideia de vida conectada quase que 100% ao “realizar trabalho”, ou seja, uma tarefa diária, cotidiana e insatisfatória para essa grande maioria, por conta de um soldo irrisório que não compra os sonhos e acabam alimentando-os ainda mais… com suas tendências egocêntricas e egoístas e tudo isso ao mesmo tempo, nem é bom!

daí parece que aquela música clássica do nosso rei do rock nacional, com seu cavanhaque e violão pendurado no pescoço tocava por aí “no dia em que a terra parou”…! uns vão dizer que é previsão, outros dirão que é maldição…

e pela primeira vez na história os seres humanos podem escolher, dentre milhões de escolhas idiotas que fizeram, fazem e farão, mudar completamente o sistema, e desacreditar essa economia sem-vergonha; e liberar as fronteiras colocando os seres humanos como a espécie única que são com a diversidade linda que temos de culturas e cores!

ou seguiremos os dias caóticos na espera do apocalipse total… estamos preparados?! por que não será como nos filmes e séries, e tem lugares que vivem isso há muitos e muitos anos… por aqui, na pátria amada do falso governo, o que podemos dizer, que esse é um conto muito verdadeiro!