Ruas…

um após o outro, haviam esses degraus que contávamos ao subir… um… vinte e três… trinta e cinco… cinquenta e… quantos serão? aonde estão nos levando… essa mulher que usava um vestido roxo olhava para uma outra pessoa do outro lado de uma rua, que parecia um tanto chique… a rua e a mulher… que usava um batom vermelho e isso não combinava tanto com sua roupa, mas até aí, o que tem… e a rua era iluminada por uma cerração amarelada… hmmm…

seguiu-se ouvindo aquele chiado que procurávamos de onde vinha, ou o que fazia aquele som que durante um tempo que se tornava insuportavelmente hipnotizante… foi um sonho aquele mundo parado onde as pessoas viviam apenas por aparelhos eletrônicos de telas interativas como essas de filmes com vidros especiais, brancos iluminados e com aqueles desfoques cintilantes nas bordas… como um espelho, se olhássemos do outro lado, veríamos nossa versão… qual veríamos?

marrom, dois, aquarelada, vermelho, terra, cobre… ouro… numeração das cores, cento e vinte e dois, dezoito e quatro… não sei se é essa a ordem, mas não faz o menor sentido quando aquela mulher com seu vestido roxo cruzou a rua e, quando chegou do lado de cá, estava olhando para si mesma, vestindo outras roupas, porém a expressão facial angustiada de quem não poderia compreender tamanha loucura… será? ela usava um chapéu enorme e vermelho e parecia um personagem brega e rica desses seriados americanos… uma preguiça de pessoa… no entanto, como podemos julgar somente pela aparência…

elas apertaram as mãos, as sensações eram gélidas, e as imagens líquidas… oi, meu nome é… eu sei… o meu também… ela levantou a mão e tocou no rosto da outra, e fez um leve carinho com os dedos… seus olhares se cruzaram e seus batons vermelhos recostaram-se sentindo a maciez toda dos lábios… elas se afastaram um tanto envergonhadas, mas ao mesmo tempo felizes… as imagens correspondidas afastaram-se atravessando as ruas perdidas daquela fria cidade… e deixando borrões vermelhos e cerosos nos espelhos…

seguiu-se outras cores e outros números, e pareciam apostas de jogos em cassinos miniaturas de um parque de diversão cercado pelos tubarões que usavam ternos e gravatas espalhafatosas… chamavam aquilo de engenharia, era um nome bonito; até que criaram um dispositivo que nos dava uma visão de cima daquilo que havia sido criado, da imensidão de concreto sufocante pintadas por grades de cores enferrujadas… pássaros mecânicos riscavam os céus desenhando as mesmas ruas e estradas que víamos lá embaixo, no formigueiro, onde a seguíamos junto as gotículas da garoa, aquela sombrinha da mesma cor do vestido que persistia em atravessar…

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s