Uma Fábula…

Esse conto fala daquele sujeito que queria muito se tornar um artista famoso, porém, as coisas saíram de um modo bem diferente do que ele imaginou quando resolveu seguir o conselho daquela estranha admiradora…

Não! Ele gritou alto inconformado. Bateu as mãos sobre a prancheta cheia de materiais diversos para pintura e desenho. Não! Isso não pode estar acontecendo. Ele estava desesperado e sua expressão era de total pavor. Suava frio enquanto ia de um lado para o outro, derrubando algumas coisas pelo chão, como se estivesse procurando, contudo não encontrando nada específico. Espalhou tantos papéis pelo chão que o quarto ficou todo coberto de “branco riscado”. A vontade, se você perder sua vontade, ele lembrava o que a maldita havia lhe dito, sua força acabará para sempre e jamais será capaz de produzir qualquer tipo de arte. Seria a pior de todas as maldições para ele; e o medo de isso estar acontecendo de verdade e não poder fazer nada para impedir… Sua mente rodopiava buscando entender o que se passava consigo, aquela agonia rasgando e crescendo em suas entranhas, e ele não conseguia se controlar. Isso não faz sentido, com a paixão, diminuímos o êxtase para canalizar a energia em apenas um foco, o outro ou algo. E quando não temos isso, o que nos prende, limita… Talvez o medo da crítica, algo que ele havia superado havia algum tempo, aprendido a duras penas, ele se lembrava com um sorrisinho irônico… Agora criticam a forma alienada com que ele gostava de contar suas histórias, escrever de uma forma que incomodava, que obrigava o leitor a reler caso não tivesse prestado realmente atenção, pois além do embaraço de usar uma escrita para lá de coloquial, com um jeito tão estranho de descrever como se estivesse conversando com seu público, porém sem se importar na forma, era como sempre Arte. E estavam nas entrelinhas onde ele gostava de deixar suas pistas, de histórias que se completavam com suas ilustrações. Contudo ele havia cometido o crime que lhe tiraria o que ele considerava sua razão de vida.

A mulher que se encontrava no salão era realmente atraente. Usava um vestido com leves pontos brilhantes combinando com sua maquilagem que lhe realçava ainda mais a sua beleza. Por dentro também era muito bela, de uma inteligência sedutora e uma mente astuciosa, a senhorita Ardolli lhe explicou com muito cuidado, que com o que oferecera ao nosso querido protagonista, ele seria o artista mais famoso e rico de toda história humana, o que era algo muito valioso para algumas nobres pessoas, já que na maioria da biografia geral os artistas só ficam famosos após deitarem de vez sobre o leito escuro e ele estava no auge dos seus trinta e poucos anos, e queria continuar vivo! Ela brincava com os dedos sobre a taça de champanhe, uma câmera girava mostrando todo o ambiente, iluminado por lustres de design fino. Longas paredes brancas com enormes telas mostravam diversos estilos de pinturas e desenhos, com paisagens desconcertantes em temas absurdos que deixavam o público em um burburinho caloroso. Ele via tudo como uma cena de um filme, no centro ele conversava com a mesma mulher alta de longos cabelos negros. Ela estava falando algo bem baixo, como um sussurro em seu ouvido. Em seu delírio de artista a única regra para que ele tivesse todo sucesso desejado… Ele jamais poderia se apaixonar por outra pessoa, se apaixonar mais de algo que não fosse sua própria Arte, pois caso contrário, ele jamais conseguiria produzir novamente. Seria um eterno papel branco em sua mente. Ela abriu os braços e mostrou toda a beleza do glamour de um artista que vendia suas telas para celebridades e pessoas influentes mundo afora. Ele estava maravilhado, cego e enebriado pela vontade, e assinou com sangue o contrato da bruxa…

(Acho que continua… 😉 )

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

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