Em Contexto…

Por volta da uma hora da madrugada ele resolvera se sentar em frente aquela peça branca, um objeto que o atraia constantemente para que fosse ali desejado, acariciado, ofertado, apreciado, exibido com gosto, uma área de um gelo infinito, que podia ser preenchida conforme sua mente pudesse colocar tudo para fora, sem travas… Ele procurou ajeitar o corpo para que ela pudesse olhá-lo de frente. Ela era uma mulher muito atraente. Apesar da aparência mais jovem, o corpo magro, coberto por roupas despojadas e soltas, que deixavam suas curvas escondidas. Era algo sedutor de se olhar, como o tecido macio ajeitava-se ao corpo quando ela se mexia e depois fluía deslizando e criando outras formas, e acompanhar aquilo era algo hipnotizante. Ele estava se apaixonando por ela, a mulher de cabelos claros na altura dos ombros e em seu braço possuía flores lindas e espirradas como aquelas tintas assopradas pelo vento, com curvas e cores que pareciam se mover conforme ela se movia. Serei breve, ele alertou, sobre um todo que está conectado, e se você quer mesmo entender um porque de toda essa loucura, saiba que isso irá mexer com pessoas que não querem que a população mediana considerada normal conheça, pois são elas que movem a máquina inteira acreditando em uma coisa que não existe, em algo que não soluciona sua pergunta, e que parece mais uma fuga pelo seu conforto. A espécie se tornou obsoleta pela sua própria arrogância. Você quer continuar com isso, faça sua pergunta…

Ela estava sentada com a perna cruzada sobre o sofá aveludado. Soltava fumaça de seu baseado que dizia usar para algum tratamento de uma doença de um nome estranho e difícil de lembrar. Isso realmente não importava, era até um mote para inserir em um assunto muito mais amplo e complexo do que as pessoas estavam acostumadas a viver em suas vidas passageiras e cotidianas, enterrando seus mortos e chorando um sofrimento sem entendimento em uma sociedade saturada de terror. Não era para ser bonito, sei lá, gostoso, agradável, por que ser tão duro consigo mesmo, parece até odiar a humanidade… Esperou alguns segundos refletindo sobre aquilo que ouvira, ajustou o óculos sobre o nariz e pegou uma seda sobre a mesa. Ela soprou uma, duas bolhas brancas de fumaça. Os traços de seu rosto eram lindos, exóticos, um par de olhos grandes e expressivos, e ele gostava do jeito como ela os usava, fazendo caretas engraçadas combinadas com um nariz delicado sobre a boca pequena e jovial. Ele sorriu de lado. Olhou sobre os óculos e ela estava sorrindo de volta. Por que, ela começou, parou e pensou um pouco… Pode demorar para formular a pergunta ok, por que como tem que emendar todas as ideias, é possível que a mesma se torne mais complexa. Entende, tipo, maior em tamanho mesmo… Ele riu daquilo também. Os dois se divertiam muito juntos, isso era bem óbvio de se observar. O jeito que ela falava deixava ele abobado, os dois sentaram-se mais perto e continuaram a sua conversa delirante.

Pense bem, vou começar com uma ideia que acredito ser fácil, e daí continuamos está bom assim para você? Ela lhe perguntou e ele não se aguentava, cada gesto ou fala deixava-o tonto de vontade de beijá-la, porém se segurava pelo nome da amizade entre eles, longa e sincera. Muito bem, ele concordou, vamos começar por aqui mesmo, por que roteirizar, ou rotular uma ideia… Por que ter um caminho traçado e singular? Imposto às vezes como único e certo? No caso desse nosso papo, ela falou, é apenas para contextualizar nosso leitor, imagina, falarmos e falarmos, vai ficar parecendo que não estamos dizendo coisa nenhuma. Meio absurdo não acha. Ele deu mais risadas, ela acompanhou. Só de imaginar como a vida é, ele completou, e suas definições, dadas pela Ciência, pela Filosofia, e até pela Religião, ainda bem que nesse caso estamos falando das Virtudes. No entanto, parece que nossa espécie curte um problema sabe? Ele indagou sabendo já da resposta que ela iria dar. Temos uma sociedade pautada em um sistema enlouquecedor que um montão de gente critica, mas ninguém tem realmente a coragem de sair de casa e fazer a coisa positiva para mudar. É necessário entender seu individualismo, para contribuir para o todo coletivo humano, sair da zona de conforto e achar o “conforto” nos perrengues que irá passar, ou acreditará que a vida é aquela que passa em suas vistas no objeto retangular enfeitando a parede de sua sala.

Se beijaram longamente e a desculpa dada foi o “sapiotesão”. Não que fosse necessário desculpas para nada. Os dois eram adultos, solteiros, até então bem resolvidos sobre a situação que tinham, e queriam se aproveitar ao máximo, chegaram a conclusão que o por que não, tem a resposta de sim. Depois de uma longa e aguda noite de sexo, os dois continuaram aquele papo incomum, sobre como é ou o que é, emendando em outros tantos porquês e duvidas mil, ela lhe explicou a estupidez da Economia, talvez o elemento Neutro que pese infelizmente a favor dos Cavaleiros do Apocalipse. E continuou na ideia de que o quatro deles, considerado por muitos o pior, talvez por ser o final de “tudo”, a morte por assim dizer, nomeada Medicina. Era outra criação humana bizarra e com rituais e costumes para lá de estranhos, que diziam ter vindo de escolas milenares na Europa, onde senhores que compravam corpos de defuntos ou pegavam dos indigentes, se apresentavam em amplas salas circulares lembrando antigos teatros gregos, e ali os abriam com instrumentos disformes, explicavam para aqueles que eram considerados seus alunos sobre o corpo humano e suas funções, tudo de maneira básica e primitiva, porém primordial para evoluir a tal ciência, nesse caso em minúsculo pois não estamos tratando da Virtude …………………………………………………………………………………………….

 

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

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