Ao Mochileiro na Estrada…

Mochilas. Viagens. Perrengues. Alegrias. Aventuras. Liberdade. Satisfação. Não necessariamente nessa ordem, porém quando se resolve por a mochila das costas e o pé na estrada tem que estar ciente que não é algo mágico como os escritos dos vagabundos iluminados ou dos andarilhos loucos. Quando trabalhamos numa cidade comum de pessoas que pegam seus metrôs para um mesmo lugar todos os dias, seguindo filas e cumprindo horários, aguentando desaforos dos chefes incompetentes, pagando contas atrasadas e comprando coisas inúteis, elas sentam em seus sofás no final do dia e pegam o controle remoto e ficam se deliciando com as lindas imagens de praias paradisíacas, de cachoeiras escondidas, de matas verdes brilhantes e sonham com aquela mulher que está em cima do stand-up remando mar adentro ou com aquele sujeito que está fotografando o horizonte de um mirante natural espetacular, coisas que acreditam só se vêem em filmes. Não querem isso de verdade, não é um desejo real, é um sonho, um sorriso fingido que segura suas barrigas imensas à frente da covardia de não por a cara a tapa.

É ai que está a grande sacada do viajante. Ele sabe que pode passar fome e sede. Sabe das dificuldades de se caminhar de uma cidade a outra sem ter planejamentos, sem ter os mantimentos certos e a bagagem adequada para tal empreitada. Mas faz. Pelo simples fato de que quando acorda, está em teoria livre para seguir, para ir e só ir, sem precisar voltar, sem obrigação nenhuma, a não ser com “qual é a próxima aventura, qual é a próxima pessoa maravilhosa, qual é a próxima comida, cultura, língua. Essa é a grande sacada dos vagabundos iluminados e dos andarilhos loucos. Você se torna um louco também, desses que conversa sozinho por que somos feitos para viver com outros e a solidão nos coloca de frente para nosso único temor, nós mesmos. O viajante se enfrenta todos os dias, se encontra todos os dias, se supera todos os dias, e quando pode se sentar naquela pedra lisa, olhando para as águas límpidas daquela cachoeira, e sentindo o cheiro delicioso de “natureza”, e o frescor do vento lento em sua pele, ahhh cara, o prazer é incomensurável, e acreditem, é como aqueles que praticam esportes radicais e viciam-se na adrenalina, sentem-se vivos, o corpo responde, a etapa foi vencida, e quando se tem humildade para reconhecer seus limites, mais delicioso fica. Ao mar, em breve!

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

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