Números…

Vi num filme que uma garota de vinte e poucos anos dizia que faltavam uns três ou quatro anos para o corpo ter de vida no auge; não sei bem o que ela quis dizer, porém li num blog sobre como as pessoas estão mais preocupadas em ter uma velhice de qualidade, se alimentando melhor e fazendo exercícios. Entende-se por velhice a partir de que idade? Aos trinta e nove um camarada me disse que a “nossa geração” já está ultrapassada. Por geração entende-se aquelas pessoas aptas ao mercado de trabalho, logo após ou ainda em período de faculdade. Uma colega de quarenta e quatro afirmou a mesma coisa só que com outras palavras, falando que estaríamos no estágio final de uma idade de mercado de trabalho. Em outro conto li um sujeito que dizia que as pessoas se apresentam com nome, sobrenome e seu “título profissional”… E na sequência o papo gira em torno disso, seus trabalhos. Não sei quanto tempo de vida despendemos para o trabalho, eu digo este remunerado por um salário mensal. No entanto imagino que é muito tempo, são jornadas de pelo menos oito horas diárias, e tem gente que enlouquece no período de férias, precisa urgente do trabalho, de ter algo para fazer. Sem entender que pode ser seu próprio hobby. Que também é um trabalho. Porém um trabalho que se quer fazer, algo que gosta, que quando se desfruta, seu tempo é utilizado com o gosto de um gozo. Já vi histórias de pessoas, principalmente artistas, que só ficaram famosos depois de velhos. Escritores idem. Quarenta e poucos para uns, setenta e tantos para outros. Li emocionado uma notícia de uma senhora que tinha noventa e dois anos e estava com aquele chapéuzinho de formatura balançando o diploma nas mãos. Vi uma outra notícia, esta mais chata para mim, onde pautava que o sucesso vem em cima do que você alcançou. “Eu tenho duas casas e três carros”, arrotam uns, “Eu tenho dois mestrados e quatro especializações.” O estômago chega a revirar. “Medi meu pau e ele tem dezessete centímetros!” outro babaca soltou essa. “Mergulhei a mais de dezoito metros…” O orgulhoso fotógrafo náutico se gabava para os companheiros de trabalho. Eu presenciei várias dessas cenas, perdendo as contas, mas infelizmente comprovei, que além de títulos e rótulos, números também baseiam uma sociedade pobre de qualquer outra coisa que não seja se colocar acima por sei lá que motivo besta, pois uma vez também li, e essa é antiga já, todos iremos para o mesmo lugar… Será? “Eu tenho um…”

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

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