Desmaiado outra vez

Era uma peça muito bonita. Com certeza havia de ter pertencido a uma rainha, um rei ou algo assim. Era de madeira maciça, e seu topo estava cravado de jóias coloridas. No centro um enorme diamante brilhava. A fechadura era composta por uma caveira dourada. Em seus dentes inferiores havia a abertura para uma chave. Não dava para abrir com magia, muito menos com força bruta. Nem mesmo chaves mestras ou falsificadas conseguiram abrir aquele pequeno cofre. Dusva colocou-a em cima de uma mesa. Olhava fixamente para o objeto e tinha uma raiva muito grande neles. Nalhi adentrou o aposento e colocou a mão sobre o ombro do raivoso monstro. Ela deixou por uns segundos sentir compaixão, porém como a mais acidulada das três irmãs, se esquivou soltando um som parecido com o de um chocalho de cobra. “Precisamos abrir esse baú. O que tem dentro nos dará mais mil anos de vida. É nosso prêmio por derrotarmos a armada.”

“Independe disso irmã, uma hora ele estaria conosco. O problema é a chave. A lenda diz que somente quem domina os poderes sagrados e tem em sua existência o hibridismo, vindo de lugares profundos e quietos, como o ventre de uma fêmea, úmido e aconchegante…” Elas se olharam, “poderiam abrir o objeto como fosse e usar de seu poder.” Dusva pegou a arca e a lançou na parede. O som seco, e depois o nada. As duas se abraçaram e Nalhi terminou, “precisamos de um escravo, um humano. Ele pode nos conseguir a chave.” Dusva levantou a cabeça perplexa. “Serena!” As duas saíram apressadas do cômodo e foram atrás da irmã. “Onde ela está? Onde ela está?” Se perguntaram mas também, nada.

“Ela foi caçar. Foi atrás daquele jovem estúpido de novo.” Ao longe da vista das duas, a calda de Serena brilhava forte. Ela mergulhava e suspendia com força sua traseira, e isso a impulsionava rápido para seu destino. Seu pensamento estava fixo. Ela queria aquele garoto. Ela iria dominá-lo, depois manipular suas vontades, faria ele fazer de tudo para obter a chave. E depois iria arrancar seus membros e comê-los em frente aos olhos amedrontados de Buk. Vou fazer você sofrer pelo tempo perdido moleque.”

Em solo e aprisionado, Buk não podia fazer nada a não ser tentar dominar suas indecentes visões. Pensava em fazer amor com Serena, e ao mesmo tempo em se banhar em sangue. Sangue humano. Em que ele iria se esbanjar rolando seu corpo nu junto ao dela. Seus sentidos estavam confusos. Ouvia ordens do tipo “fuja”, “ataque”, “defenda-se” e “ataque” de novo, ao mesmo tempo que ia desferindo golpes e derrubando os soldados da Nação. Chegou de madrugada com uma chave de ouro no bolso e ficou escondido atrás de grandes pedras na praia, com esperança de não ser achado pelo Capitão e seus comandados, ou mesmo por Serena. “A Bruxa-sereia está vindo, estou perdido!” Foi seu último pensamento antes de sentir o golpe na nuca e desmaiar.

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

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