Sentimentos Coloridos…

Coloridos. Como a vida deveria ser, segundo os pensamentos altruístas de Misaki, a professora de Ioga. Ela era uma senhora de uns 60 anos, devia ter um metro e meio nos 3 sentidos, e impressionava pela sua flexibilidade. Sara não entendia como aquela pessoa tão pequena e tão compacta podia fazer posições complexas com seus membros, deixando a garota toda dolorida no final de cada sessão. A mestra explicava a ela como as cores influenciam no nosso dia a dia, como a conhecida cromoterapia poderia ajudar e ser benéfica para a jovem que a havia procurado com tantas dúvidas.

No início ficou com medo de revelar para sua professora, mas desde que chegou ao Rio e resolveu “morar” um tempo na cidade maravilhosa, para explorar coisas que ela ainda não tinha tido tempo ou nem se importava pela vida insana que já levava em São Paulo, acompanhando o ritmo alucinado dos pais; ela se dedicava mais a si mesma, seu corpo e sua mente. Nesse último caso para resolver os problemas sentimentais que a dor de não tê-los por perto trazia, e o descontrole com essas emoções que manifestavam cada vez mais fortes e vinham em formas e cores específicas. Sinestesia!

As aulas de Ioga aconteciam na praia, bem cedinho com os primeiros raios do sol, e em um domingo onde Sara e Misaki se deixaram levar pelo tempo, os outros alunos haviam ido embora e as duas sentadas em posição de  lótus trocaram suas energias, e a professora identificou o caos sentimental que a jovem tinha e como ela não limitava suas emanações. O ciúmes era imenso como um tigre, tinha o corpo azul e o ventre alaranjado. Era robusto e imponente, chegava a ser um monstro bonito, mas era temível devido a sua brutalidade. Dele às vezes nascia a Impulsividade, uma outra aberração enorme, que ganhava a forma de um touro rosado e chifres verdes fazendo um belo contraste. Esse sentimento levava Sara a cometer todo tipo de loucuras que ela podia. Sozinho ele não agia, mas combinado com o Ciúmes ou até mesmo com Alegria, Sara era capaz de realizar qualquer proeza, tanto para o bem quanto para algo ruim. E essa Alegria incontrolável, veloz e agitada vinha na forma de um coelho todo preto com um coração vermelho grandão no peito. Sempre com os dentes a mostra e gestos espalhafatosos, fazia Sara se perder nas sensações agradáveis de um banho no mar ou depois daquele beijo ardente que se repetiu com outras conquistas.

A garota estava agora vivendo aventuras em terras cariocas, junto de Marcinha, uma negra linda que usava as roupas mais descoladas, os acessórios mais atuais e os cabelos rebeldes cheios de mechas coloridas, segundo Sara a descrevia. Ela trabalhava em uma loja famosa de maquilagem em um shopping na zona sul, e quando dava, ela escapava para encontrar Sara na praia, que ficava a uns 10 minutos de caminhada. As duas conversavam muito, fumavam um baseado e depois de um açaí geladinho, Marcinha voltava ao trabalho e Sara ficava viajando em frente ao mar. Era aí onde a Paixão vinha com mais frequência, pelas lembranças boas que ela tinha, pelos pensamentos agradáveis das tardes quentinhas e pelas sensações em sua barriga, de que tudo que estava realizando era realmente apaixonante. O maior dos monstros era o mais infantil, abobado como só os cachorros são, e tão carinhoso quanto.

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

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