Platônico…

Acontece em geral em uma sexta à noite, ou aos sábados, aqueles encontros casuais com pessoas amigas de amigos seus, pequenas surpresas que podem vir a se tornar outros encontros. Foram muitos, com diversas turmas das qual participou em suas viagens. Tantos lugares, tantos amigos e tantos amores possíveis. E depende muito de como você lida com essas situações de paquera, ao mesmo tempo em que pode viver uma paixão intensa, com muitas aventuras e riscos de “adolescentes”, ocorrem outras em que apenas um toque de amizade marca esse dia em sua vida. Ele estava trabalhando como tatuador durante um bom tempo, tirando dai um dos meios de seu sustento e também de viver alguns desses amores. Uns concretos por um instante, outros passageiros, e mais comum, os platônicos. Ele tinha sido professor em uma instituição em São Paulo, o que lhe propiciou participar da criação de um curso de graduação, o assunto que ele tanto ama, sobre animação (claro que passados os anos não é mais o mesmo curso), mas a essência está lá. E em um dos atendimentos de tatuagem, iria rabiscar mais uma pele amiga, de uma ex-companheira de trabalho, ali acabava de conhecer uma pessoa que havia se formado nesse mesmo título. Ela tinha o cabelo muito chamativo pintado de laranja e um óculos de nerd daqueles com o aro preto e grosso, e prendeu a atenção dele na hora. O choque de saber seu gosto pessoal para as pessoas, num caso nítido de interesse mútuo, e o papo fluindo leve, se percebe tantos interesses comuns que já imagina mil cenas de como vai fazer para passar mais tempo com aquela pessoa. E nem adianta pensar em diálogos ou desculpas, nesse caso ser direto talvez fosse a melhor opção, isso se dentro de tantas qualidades e curiosidades partilhadas que sabemos que eles têm, a timidez dela barra em muito as possibilidades de um movimento frontal. Ele envia uma conversa qualquer pelo celular e recebe uma mensagem de resposta pouco tempo depois. Sabe que precisa de coragem para fazer aquele convite que pode mudar todo curso da história. São tantas possibilidades que eles acabam não fazendo nada, mesmo se prometendo um encontro casual na hora do almoço. O platonismo então toma conta e o desejo fica ali na mente, pulsando fraquinho, só te lembrando de mais um “amor” para a lista dos que jamais serão vividos nas ruas de sua cidade.

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

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