Na Ilha das Bruxas-Sereias

Existia uma leve brisa no ar quando Buk acordou. Ele sentiu uma pontada forte na cabeça e tinha escoriações por todo o corpo. Estava deitado com o rosto sobre algumas pedrinhas dentro de uma “caverna” de onde podia-se ver a praia. Sentia-se zonzo e sua visão inteira estava turva. Lançou as mãos no rosto e ficou aliviado de sentir seus preciosos óculos. Ufa! E agora onde estou? Procurou a sua volta e não viu o navio do Principal Comando da Nação e nenhum dos tripulantes muito menos o Capitão. Onde estarão todos? O jovem se pôs em pé e sentiu uma explosão forte na mente e suas memórias vieram à tona. Recordou do momento exato do ataque e de quando a bruxa-sereia havia impedido a sua morte. Não encoste nele! Ela gritou para uma outra que era maior e mais encorpada, mas que não reagiu, apenas deu um guincho como uma fera amarga. Depois olhou dentro dos olhos dele e passou a língua na ponta de seu nariz. Você é meu! E com um sorriso maligno pulou de volta para o mar puxando o braço de Buk, que sem resistência apenas gritou desesperado que não sabia mergulhar.

Debaixo d’água ele viu aquele monstro fazer seu primeiro truque para mantê-lo vivo. A sereia soprou uma bolha que que foi crescendo até cobrir a cabeça dele. Então podia respirar na água como os peixes e ela aumentou o puxão deixando os dois bem próximos. Agarrou-o pela cintura e afundou a toda velocidade. Muito metros abaixo e ele não conseguiu mais distinguir as próximas cenas, como se milhões de bolhinhas invadissem seus olhos. Assim ele percebeu que estava sem a proteção da bolha e ficou desesperado. Começou a engasgar e a tossir água e já não podia sentir nada, seu cérebro foi apagando e ele foi desligando.

Ela está aqui! Buk ficou aflito e seu corpo ficou alerta. A barriga também doía, ele não tinha ideia se havia quebrado algum osso, mas as dores nos músculos pinchavam e ele podia sentir a cada momento em um lugar do corpo. Não havia nada que pudesse pegar para se defender a não ser algumas pedras. Não vou atirar pedras nela, vai ser ridículo! Ele pensou na cena e balançou a cabeça. Também não tinha nada que pudesse carregar como provisão, estava apenas com a roupa do corpo e não usava mais sapatos. É não vai ser fácil, mas preciso sair dessa! Cabaleante ele deu uma volta pela caverna, não vou me aprofundar, vai que elas estão escondidas ai dentro, ou se tem algum monstro pior. Vou dar o fora daqui! Falando sozinho Buk se arrastou até a praia lutando contra seu corpo, ele estava bastante fraco. Caiu na beira mar apoiando sobre as mãos. Fechou um punhado de areia numa delas e buscou lá no fundo do peito um grito choroso e angustiado.

Olhando para trás viu a abertura da caverna, era ampla e não parecia tão profunda. Notou que a ilha também não parecia grande, toda entrecortada com poucas árvores saindo das pedras, essas sim grandes e de diversos formatos, criando um relevo que parecia ter difícil acesso. Será que alguém sobreviveu? Ele se indagou pensando nos tripulantes e no capitão do navio de novo. Tinha sorte de estar vivo ainda. Depois de presenciar um segundo ataque, ele podia-se dizer um cara afortunado em certas circunstâncias. Outra vez de pé resolveu dar uma volta pela ilha, precisava achar comida, água e um jeito de sair dali.

Não havia nenhum destroço de navio pela praia, e ao longe ouvia o barulho de pássaros. Caminhou por um tempo até ver uma ilhota feita somente de pedras a uns 100 metros para dentro do mar. Dá para ir a pé até lá, ele pensou quando reparou que havia alguém sentado em uma pedra mais escarpada. Parecia estar penteando os cabelos e não se via abaixo do quadril. Uma mulher, sozinha! Admirado ele correu gritando e agitando seus braços quando percebeu que aquela não era uma mulher qualquer, e dai foi tarde demais. Ela virou-se e deu um largo sorriso.

Finalmente você acordou. Por sua causa fiz muitas loucuras meu menino. Segurou o rosto dele entre as mãos. Ele estava paralisado pela beleza dela, sem nenhuma expressão no rosto. Apenas impressionado. Ela falava sem parar, contando para ele todo o caso até então. Por que não me matou? Entre risadas ela disse que ele não serviria de comida pois era muito magrelo, não serviria como escravo para seus apetites carnais pois notava-se que não tinha experiência alguma com mulheres, e também não seria um “protetor” muito útil, não tinha tamanho e não parecia ter força suficiente para um combate. Você é um bibelô, ela disse. Vou te guardar para mim, até você crescer e eu poder me utilizar de seu corpo. Horrorizado ele indagou, mas vocês não devoram os homens? Mais risadas e ela explicou mais alguns detalhes do ataque. Nem sempre comemos, sabemos que vocês nos podem nos ser pertinentes de outras maneiras também.

No entanto meu jovem bibelô, eu briguei com as minhas irmãs por sua causa. Serena queria abrir sua barriga e engolir suas entranhas. Mathilde queria usar seu cérebro nas nossas poções mágicas. Não pude deixar isso acontecer, consegui convencê-las de sua importância aos nossos planos. Eu quero você para ser meu escravo, você irá atrair outros homens para nós. Não podemos nos colocar em mais perigo, os seus nos caçaram  tanto e nossa espécie precisa se recuperar. Não concebemos normalmente, precisamos da semente do macho de sua espécie para gerar nossas crias híbridas. Os de nossa espécie são como peixes selvagens e só servem para uma boa contenda. Não queremos filhos peixes! Ela terminou sua explanação e Buk estava atordoado com tudo aquilo.

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

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