Sushi e Temaki não representam…

Era uma manhã quente pra caramba e lá estava eu na fila de um fast food de comidas orientais. Nesse dia eu conheci aquela que seria minha “namorada” japonesa por um curto período de 5 dias. Explico melhor. A diferença cultural do mundo não se baseia apenas nos erros das diferenças linguísticas, ou nas comidas que nos são apresentadas como por exemplo do Japão como se “só” comessem sushi e temaki, e o povo daqui acreditando que está experimentando a culinária estrangeira.

Em um lugar onde têm um turismo forte vindo desses países como Japão, China e Taiwan, conheci Anne naquela curta fila. Olhares, sorrisos e o nome era americanizado sim, todos eles adotavam “apelidos” em inglês para facilitar a comunicação. E a expressão engraçada de felicidade que eles faziam explicando isso era ´bão demais de ver! Trocamos sorrisos, Whatsapp e duas semanas depois marcamos um encontro no shopping local.

Ficamos por umas 8 horas passeando juntos, comemos, tomamos café, dividimos experiências e opiniões sobre diversos assuntos, tendo a diferença e como lidar com certas situações entre mulher e homem como um dos focos. Pensei se nós brasileiros somos um povo realmente mais aberto, na entrega do corpo em sua intimidade. Ou elas, as japonesas que são respeitadoras demais. Descobri com o tempo que o Japão é um país muito machista cheio de costumes que muitos vêem como engraçado em desenhos animados que chegam por aqui, no entanto que tem na mulher sempre a figura delicada e frágil, quase sofrida que sempre precisa de um herói para salvá-la das difíceis escolhas da vida. A juventude é tão fútil quanto qualquer outra, por que é da idade e não do local. Países considerados desenvolvidos e de primeiro mundo tem seus mercados como principais compradores das bobajadas pop culturais que circulam mundo afora, com gosto duvidoso e um pensamento humano muito aquém das suas altas notas em física e matemática.

Mesmo assim dois dias depois compartilhávamos suor, cheiros, sensações, duvidas e desejos na quente madrugada havaiana. Em uma semana estranha para se acostumar que não se pode encostar fora das 4 paredes, como se fosse um jogo, e se você se comportasse direitinho poderia ter uma sessão de sexo tão louco quanto àquele de quarta-feira. Isso por que depois de uma tentativa de um beijo no primeiro encontro, ela virou seu rosto e ele beijou o canto de sua boca. Ela apontou o dedo para a bochecha e rolou um leve constrangimento na manhã seguinte quando se encontraram em frente ao curso de inglês, ela se escondendo atrás de uma amiga em comum. E para explicar para eles que te convidam para uma festa, e quando você chega ao local é como uma reunião de homens que ficam fumando e comendo batatinhas chips e bebendo cervejas, duas latas depois a maioria já está dormindo pela falta de costume do corpo.

Ficamos amigos por algum tempo, e como acontece com todos, melhores amigos e namoradas, relacionamentos são momentos que devem ser aproveitados ao máximo por que vão passar, e mantêm contatos aqueles que têm interesses em comum. Até hoje me lembro de como foi louca aquela semana em que as culturas entraram em choque e tive um aprendizado muito bacana sobre como lidar com as divergências durante esses primeiros meses de viagem, o que me serviria muito para saber me encontrar no lugar onde falávamos a mesma língua e comíamos nossas comidas tipicas.

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

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