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Contos Curtos da Vida Lá Fora

Através de viagens reais, mudou e muda todo o tempo. Conta histórias insólitas e ilustrações experimentais de um artista apaixonado pela forma mais pura de criação. Ilimitado e condescendente. Sejam bem-vindos e divirtam-se com os Contos Curtos da Vida Lá Fora! =)

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Processos

Uma vez que a vida lhe mostra o caminho, se tiver o mínimo de inteligência vai poder seguir algumas coisas que são legais para o que gosta, assim imaginava de forma simples e humilde, já que não havia certeza para mais nada. É um fato de que quando você escolhe, você se abstêm de alguma coisa de forma consciente, então segue para frente, pegou o lápis e sentou-se confortavelmente na cadeira para depois debruçar sobre a mesa e rabiscar noite adentro.

A fotografia é quase tão prazerosa quanto o lápis, mas de todas as tintas, pelas suas formas, texturas, sabores, cores, químicas, e suas misturas, as tintas são um tesão danado de se usar. Alguns ativistas irão falar por aí que tão matando muitas árvores para fazermos papéis e lápis… Não consigo me ver sem isso, sem os materiais, quase sentindo como se fossem parte de mim mesmo, como ossos que terminam em vários lápis e canetas e pincéis, e na outra mão as cores primárias espirram tintas acrílicas e aquareladas. Serei então uma pessoa ruim por essa escolha, a Arte, sempre com maíuscula, para mim a mais interessante e envolvente dos quatro Cavaleiros da Virtude.

Coloquem isso tudo como uma mistura de bolo, que irá para o forno e crescerá, o cinema com a montagem, em uma ilha de edição digital, animando efeitos e absurdos, surrealismo maravilhoso escorrendo da tela para o papel, da cabeça pelos punhos, os papéis se enchem de linhas amorosas, cores fluidas como mel, agora volte ao papel, lápis, borracha, rabiscos que parecem sem sentido e tomam forma como num passe de mágica e maravilha os olhares das pessoas incrédulas… E nem sei se dá para imaginar um mundo sem isso, sem ela…

Vamos terminando por aqui, deixou os materiais sobre a mesa e organizou de um jeito simples para que continuasse o trabalho em outra hora… É em itálico pois havia consciência de que tudo era trabalho, o grande lance é fazê-lo prazeroso, portanto, e como era com Arte, a certeza de um bom dia, um após o outro, sem pressa e com muito deleite… Desligou a luz do abajur e foi para a rua se inspirar de cidade…

Amigos a Parte…

Essa curtinha conta a breve história daquele casal de amigos que sempre flertavam com o romance, porém tinham um cuidado danado para não misturarem os sentimentos e seguirem com a amizade tão bela e longa… Até o fatídico dia, sempre tem, em que as provocações, os olhares e os gestos de cada um mostravam sinais de uma vontade crescente tão intensa que os dois estavam em constante bate-papo tentando alinhar esse relacionamento que era de bastante curtição e confidências. Se viesse o sexo tudo poderia mudar caso os dois entendessem o processo daqueles dias como algo a mais do que o desejo deles. Ela sempre negava, ele sempre esteve neutro… As energias se atraem e se chocam e um dia eles literalmente se esbarraram e o choque rolou real, deixando os cabelos em pé e uma faísca de sentimentos confusos saindo de uma nuvem… Eles se permitiram, se curtiram e gozaram juntos… Durou muito pouco como romance e a amizade dura até hoje, e eles sabem, combinados pelas suas essências num lugar onde é desnecessário as palavras, que é melhor deixar assim, pois aquela única faísca poderia causar um grande incêndio!

Um Final Comum…

Esta é uma curtinha que conta uma história de amor que nunca aconteceu, que um dia aquele nosso camarada gostaria de ter escrito e no meio do bate-papo perdeu o desejo, por que percebeu que infelizmente, às vezes, não vale a pena…

Imaginem a cena, no ponto de vista de uma pessoa, vindo em uma velocidade cadenciada para que apreciemos cada detalhe que nos é mostrado daquela cidade de céu acinzentado e clima gélido como um sonho de terror. Poucas luzes estão acesas àquela hora e o movimento dos carros é lento lá embaixo nas ruas entrelaçadas. Ouvia Die Antwoord para poder desopilar todas as loucuras e não se matar pelo tédio encruado. Porém a magia acontece quando menos se espera e um raiar de sol deixa todo o cenário com aquele tom amarelado que deixa todas as outras cores puras e com um brilho tão lindo que hipnotiza os caras da fotografia. O local onde ela se encontrava possuía um pé direito alto, deixando o teto longe e rabiscado de vergalhões vermelhos trançando a visão. Ela estava parada olhando para a única janela do local. Era enorme, quase ocupava toda a parede dando uma falsa sensação de ventania. Não havia uma brisa sequer. E o perfume era muito suave quando ela mexia nos cabelos. Levantou a cabeça e seus olhos se encontraram. Usava um vestido branco e liso, quase como uma fada, só não tinha as asas. Uma tiara de flores coloridas e pequenas rodeavam sua cabeça e ela retirou uma e ficou brincando com o caule.

Dizem que o gelo melhora, não a tristeza, mas as olheiras… (Por uma amiga maravilhosa e inspiradora) Ele estava diante do espelho e sentia uma dor aguda no peito. Sabia que não havia mais volta e aquela sensação horrível de pensar que não mais conviveria com àquela mulher, lhe deixava tomado de uma sombra amarga. Ele segurava a xícara pelo corpo, sentindo o calor do líquido esquentar seus dedos. A ideia era tentar dispersar o frio, tentar abrir o sol naquele cinza amplo que cobria tudo o que se via até o horizonte. Mais uma das limitações humanas. O reflexo dele estava espelhado no vidro e ele podia-se ver e não tinha tanta certeza do que era. Não se reconhecia, se achou velho, lerdo. Quando foi que isso aconteceu, pensou, e deu mais um gole no café.

Trocaram tão poucas palavras em suas existências que nem sabia se dava para nomea-los como “amigos”. Lembrou-se de praticamente todas as passagens em que estiveram juntos, por que eram poucas, e nem eram tão intensas assim. Não acontecia algo emocionante que dava para contar feliz. O curioso era a sensação que ela lhe trazia. Sabe quando você está quente, com o corpo inteiro quente, e dá um mergulho num mar de águas limpas e geladas, pois então, era mais ou menos isso. Não sentir um por que o outro está tão intenso que não chega, demora milésimos de segundos para o cérebro entender aquela sensação e te mandar os impulsos certos e passamos a sentir um frescor frio que acerta em cheio os ossos. E quando emerge da água é uma alegria sem fim, um sorriso imenso e aquele arfar colérico buscando forças no ar para estabilizar o corpo. Pensou nela mais uma vez, ela também amava o mar. Incrível a quantidade de coisas em comum, e o mais estranho é que mesmo assim, havia alguma coisa que não encaixava naquele quebra cabeça. Não que faltasse peças, muito pelo contrário, estavam completos. O lance é que as duas imagens não se somavam, o lado direito de um não combinava com o esquerdo do outro. Nem por cima, nem por baixo, àquela frase pode ser um tanto boba, mas é muito verdadeira, e significa, quando um não quer fazer alguma coisa, ou não escolheu o mesmo que você, ou mesmo, você, não há o que fazer a não ser seguir em frente, e lembre-se, esse romance nunca aconteceu!

Relações…

Hmmm a vida não é nada romãntica ou é só a solidão… Ele estava vivendo uma vida bem simples, sem compartilhar com ninguém seus momentos, suas ideias, suas coisas. Contudo estava bem, não era como antes que parecia haver um buraco imenso e que necessitava urgente de tampá-lo; e foi nesses tempos, com os anos passando rapidamente, e às vezes com aquela noção de que está lento pois é bem vivido também, que percebeu que assim eram todas as pessoas com suas escolhas que ocasionalmente lhe deixavam um tanto confuso. Havia aquela amiga que vivia com namorados, terminava um relacionamento e entrava em outro com a mesma vontade, entrega, desejo, chegava até a ser infantil, pois só mudava o personagem com quem estava, já a história seguia à mesma. Claro que quando você é o protagonista de sua história e quer ter alguém para participar consigo dessa sua narrativa, que também em alguns momentos será protagonista, e você o coadjuvante e no cinema gostam de chamar de figurante, no entanto com uma certa importância para todo o contexto. Uma vez ouviu uma outra amiga perguntar, depois de um breve relacionamento de um mês o motivo de ter vivido o que viveu com aquele outro cara. As pessoas procuram alguma coisa mística, alguma razão etérea para suas escolhas, para viver suas aventuras e caso elas fracassem, usam de desculpas a conjunção astral desalinhada, ou o vício em coca-cola, ou as roupas penduradas na janela que não agradam em nada os vizinhos daquele bairro chique.

Outra ideia bacana percebida e agora aprendida, apesar de não saber como praticá-la (existe uma necessidade talvez de outros textos para sempre alinharmos essas ideias de TEMPO), pois as coisas acontecem no tempo em que acontecem, e não dá para prever nenhuma ação ou reação, no momento em que aquela coisa acontece, então você simplesmente só vive o ato. O faz e de verdade uma dica bacana é, sempre fazer com prazer, mesmo que seja algo que não está afim, por que assim pode-se acabar rápido (de novo uma explanação sobre o tempo e suas diversas facetas, pois eles se misturam e nos confundem, já que só o entendemos de forma linear, mesmo que vá para trás…) As histórias das pessoas e a nossa escolha de participarmos ou não, e as escolhas alheias de como participaremos ou não (isso também vale para nós mesmos), tudo isso formando uma sociedade com uma enorme dificuldade em se comunicar com palavras faladas e escritas, com símbolos esquisitos para uns povos ou outros, como podemos nos relacionar de boa, e conversando, será que eles conseguiriam se entender e formar um “novo tipo” de casal, ou de relacionamento.

Ele e ela acreditavam muito nisso. Já vinham se relacionando há anos e falando sobre isso, trocando ideias e experiências, um vivendo o protagonismo do outro, o antagonismo e a figuração. Tudo ao mesmo tempo sendo cambiado, namorados e namoradas, amizades coloridas, ficantes, casamentos reais de esposas e maridos, e amantes é claro, e mais e mais namoros entre oito bilhões de habitantes nesse exato momento, e as antigas regras cerceando os caminhos em pleno século vinte e um, ele se perguntando cadê os carros voadores e os teletransportes, e ela lhe aparece atrás de uma pilastra em um desses edifícios ultra modernos e gigantescos, àquele cenário futurista e caótico pintando tudo de forma simultânea em tons de pretos e luzes ofuscadas e amareladas, usando uma roupa tão colada que mais parecia uma fantasia desses heróis de filmes hollywoodianos e ele se apaixona de novo e de novo e de novo…

Arte Única e Linda!

Você não tem nenhuma tatuagem? E quer fazer essas todas de uma vez? Você sabe da dor que vai sentir, sabe que é um “machucado” que precisa de cuidados reais? Então o sujeito deitou na maca, esticou seu corpo e fechou seus olhos. Se você quer fazer uma coisa assim, e tem ciência de todos os detalhes, aqueles pormenores que são realmente chatos, pois me digam, quem gosta de se machucar não é mesmo… No entanto, a arte é algo tão maravilhoso que supera dor, supera desafios, como um atleta que tenta superar suas marcas, alcançando o limite do seu corpo. Quais são seus limites, um rabisco não pode ser comparado a uma maratona, porém a importância de colocar uma marca na pele, e não somente na sua história, gente linda isso é uma sensação única, que só quem tem sabe como é… Quer vir para o time dos rabiscados, acompanhe as poesias visuais para as peles humanas em @periclesemr e delicie-se com a arte pura!

O Dia Zero…

Seguindo essa ideia alucinada que não parava de pipocar em sua cabeça, indo de um lado para o outro, subindo e descendo, sol e lua, montanha e mar, aonde é que foi parar, ele continuava procurando e procurava e nada achava, ela passava muito rápido para a vista humana captar, porém ele conseguiu, seguiu as vírgulas ao invés dos pontos finais, compreendeu as pausas das vidas alheias, dos momentos certos para poder atuar com sua “principialidade”… existe essa palavra?

Ele entrou por corredores e se esgueirou por passagens secretas sempre tendo essa sensação de que a ideia estava por perto, que já era hora de encontrá-la e compartilhá-la mundo afora. Ninguém, nenhum estudo, nenhum cientista, nenhum rótulo, nada, que foi criado ou pensado, e o tudo, que veio de histórias de seres humanos de carne e osso, de pele e sangue, como qualquer um de nós, sem se importar com as características pessoais que aquele ser humano tem, comprova, prova ou aponta O sentido, e não um ou mais deles. Mesmo que essa seja a principal evidência, para tentar responder perguntas como “o que acontece na sua cabeça, lá dentro, quando você fuma maconha?”, que é quase o uso contínuo dos carros, sabonetes e microondas por aí. Não se usa drogas, ou não se faz mal, tudo é humano, até essa linguagem absurda e quase abstrata, que falamos A, e algumas pessoas entendem B, outras interpretam Z, e ninguém consegue se comunicar com um simples bom dia.

Quando a ideia e ele se encontraram foi uma daqueles cenas de amor profundo e brilhante, com um cenário básico que apontava o casal apaixonado transando energeticamente. A ideia disse de forma humilde e com toda a incompetência de não saber e entender sobre o tudo, que tentaria responder as questões ali lançadas por ele, para que todos pudessem ver novas perspectivas de soluções para toda e qualquer espécie de vida. Como a evidência nos mostra que não há respostas para as questões mais profundas, e nem perto disso passamos, e para as questões do dia a dia, à comunicação está falha, a ideia se permitiu usar de expressões idiomáticas e gestuais para poder se fazer entender melhor e assim lançou, se nada há resposta, e todos os rótulos são humanos, por que não há ninguém indo além disso, quebrando as regras, e assumindo humildemente, você crê que é livre, gente linda mas não somos, não existe, estamos presos à matéria, que nos fez uma espécie limitada, mesmo dentro da mente, sabendo que temos tanto a mais para sentir, fazer e aprender, e essa mente nos mente…

Não importa sua idade, ideia prosseguiu, se tem oitenta e todos ou treze e poucos, vou te contar um segredo que é um fato, duro e seco assim mesmo, ninguém sabe e nem prova nada, então amizades, não se limitem, vamos ser livres, quebremos nossos tabus, nossas próprias regras e nossas crenças limitadoras, nós somos mais, só não sabemos como. E a ideia finalizou, para dar certo é necessário o dia zero, a coisa mais absurda que as pessoas ouviam, e o olhavam com uma cara esquisita e torta, ideia continuou, é indispensável uma compreensão coletiva para um despertar maior, seja lá o que isso quer dizer, e ele fechou o livro de auto ajuda.